Revista Palavra 11
palavra. sesc. literatura em revista. 2022. Calila das Mercês página 044 Profundo pessoas vêm e vão prometem ficar mas não ficam ou saemmachucadas tolhidas cansadas bagunçadas traídas pisoteadas secas folhas de algodão desgastadas ao pisar quem colheu e esqueceu que algodão é macio paradoxo tronco espinho afinal quem nunca (se) feriu? saem porque não dão conta da expansão do alheio peito que deseja não mais fixar trilhos porto cais estação pedágio parada em que estejam abertas as balanças dos encontros alguns tomam escassos caminhos ressignificar não? comer vírgulas para não arder mais no silêncio do eterno luto da solidão que não se basta no colo ombro com outro cheiro voz soluços graças beliscos hahaha apelidos gastos na tentativa de fluir fruição na intempérie destas partidas sem adeus vimos que a dureza das escolhas perversas de quem se acha dono da criação da invenção do que não é comprável e bandeira a fantasia de união pra (se) esconder exclusão trave pra não lidar acúmulo de tentativas vãs do vão aberto que não fechará difícil alguém que mergulhou a ponto de grudar o peito lá no fundo do chão do seu coração sumir só porque acredita que não falar do enredo de ver alguém passar com o peito grudado lá no fundo do chão do seu coração faz desse ser errante gente grande humano? turbilhão equívoco ou graça nesta vida grudar o peito no fundo do chão do coração de quem pode fazer escorrer encontrar numa viagem embaixo da água caída dos [céus de Cachoeira Conceição São Gonçalo Feira descanso junto ao peito águas-sertão viver redemoinhos que carregam sonhos e assopram às 15h e só Poesia Calila das Mercês
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