Revista Palavra 11
palavra. sesc. literatura em revista. 2022. Calila das Mercês página 045 Calila das Mercês é de Berimbau-Conceição do Jacuípe (Bahia) e mora em Brasília. Es- critora, jornalista, pesquisadora, doutora em Literatura pela Universidade de Brasília. Mes- tra em Estudos Literários, pela Universidade Estadual de Feira de Santana, e bacharela em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Re- côncavo da Bahia, com estudos na Escola Su- perior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança, em Portugal. Recebeu Bolsa Pes- quisa Literária da Fundação Biblioteca Nacio- nal (2015) pelo projeto Antônio, o menino que queria ser Castro Alves , e o Prêmio Antonieta de Barros – Jovens Comunicadores Negros e Negras (2016), pelo projeto Escritoras Negras da Bahia . É autora de Notas de um interior circundante e outros afetos (2019, Padê). Foi cocoordenadora e curadora da Festa Afro- -Literária de Cavalcante, Chapada dos Vea- deiros (2021). Calila pertence a um grupo de pessoas que sonha com o dia em que todas as pessoas negras do mundo possam sonhar. © Thaís Mallon Maresia segunda feira vontade de café com pão delícia acordar e ser azul-cinza ao som de trovão de mãe que liga a gente de raio a raiz que lida a gente de folha aos céus parece saudade é só maresia aquela que tem cheiro de areia que a gente acha que deixou na praia e que purpurina corpo chão quando tiramos a roupa em casa Expansão já amei semmedo peguei na mão alheia cheia de receios viajei para receber um abraço me apaixonei por gente real no sonho já acordei num horizonte e fui leal a uma figueira hospedei gente que não conhecia por causa da charmosa poesia de boca já abracei molhada de suor de chuva de choro de cheiro os lugares que morei li mais do que eu poderia carregar já quis brigar e ainda não desisti aprendi a respirar para quando esse dia chegar pisei em espaços que não contavam que eu pudesse entrar já respondi perguntas nunca feitas e aprendi a nadar quando achei que a minha criança [não pudesse mais já imaginei a terra no céu os meus cabelos em direção ao paraíso tipo uma rapunzel ao contrário os crespos para cima expansão e a minha pele transbordando liberdade
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