Revista Palavra 11

palavra. sesc. literatura em revista. 2022. Telma Scherer página 058 [1] Busco bombas em todas as palavras pra estourar feito milho na panela. Vou saber da sujeira e das sementes pra jogar na cara dos fracos (e também dos inocentes). Empunhar ummomento puro em chãos de gosma não é fácil. Essas telas pedem tanto de ampulhetas que só ao desligá-las é que penso nas notícias. E descubro geografias na mão, antevejo mundos de pés gelados e cansados da lida. É preciso fazer alguma coisa, digo, enquanto absurdos estrondam. Agir demanda tempo e há venenos, há tapas nas telas, fogo fátuo. Nobre como cada nesga em dor que irrompe nos mareios da manhã, o dia urge. Suado como o sol dos batuques em pedras nas janelas. Só no ritmo algoritmo o sol não confunde todos os sistemas. Poesia Telma Scherer E as bombas espocam do suor das falas, nas filas sem sossego das notícias. Encurvo os passos e sorvo um sumo de poeira da linha do tempo. Não vomito. O meu dedo é uma escopeta. [2] Arranquei a grama com a mão, limpei todo o terreno. Puxei heras e eras de folhas mortas. Fiz tudo de manhã cedo, antes que eles acordassem, os vigias da moral alheia. Joguei as gramas arrancadas no mato, com cuidado para formar uma espécie de composteira. Ali depositei os cocôs que eu tirei do meu sonho, durante a limpeza dos chakras, expulsos de orgasmo e grana. Movi galhos na passagem. O mato era liso, e eu não queria escorregar para dentro de um pensamento, afinal era manhã, era domingo, pátio é preciso limpar,

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