Revista Palavra 11
palavra. sesc. literatura em revista. 2022. Vitor Pirralho página 060 Boca Boca maldita, Boca do Inferno Muitos ficam boquiabertos Com bocas sujas Que aparecem nas bocas de lixo Nas grandes bocadas Nas bocas de fumo Sem caras e bocas Na cara dura E vociferam verdades É boca quente! De outro lado, bocado de gente Sem embocadura Não sabe tocar as trombetas da veracidade Boca mole Bate com a língua nos dentes Pronuncia mentiras e calúnias calientes Nunca perde a boquinha de uma boca livre E se apresenta meia-boca, inteiramente Estou certo ou tenho um parafuso a menos? Eu tenho uma chave de boca Meus parafusos estão sempre apertados Sem vazamento Sempre desviando das bocas de lobo Desviando do insidioso Observação Raio-X Consigo ver lobos por trás de cordeiros Então desemboca bem longe de mim Na boca da mentira a verdade da boca Que espera ter seu sinal beijado ETNOC ÍNDIO Tez avermelhada Sarampo, catapora Silvícola, caipora Sofisticado primitivo Cultura morta, povo vivo Quase vivo Miçangas, fumo, pinga Tecidos, espelhos, línguas Mortas, extintas, impostas Na costa, no interior Que sabor tem quem vem do exterior? Quase morto Extermínio, genocídio, chacina Antídoto, imunidade, vacina Emboscada, armadilha, por milhas e milhas Congressos, conquistas amargas Iracema, América, Vargas Quase tudo Quase nada Poesia Vitor Pirralho
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=