6 queles corredores. Drogas de qualquer tipo (menos álcool) e estilo de vida rock n´ roll me aborrecem. Talvez o fator “escritorzinho famoso” desempenhe algum papel aqui. Espero que sim, porque existe não apenas certa justiça poética nisso, mas também, sobretudo, a comovente cons- tatação de que a passagem do tempo (o tempo não existe, mas suspendamos esse fato para fins de argumentação e efeito emotivo) diluiu aquela fronteira que me fazia en- xergar o Leo e o Ricardo como aqueles caras mais velhos, os donos do Garagem, e que nos colocava, eu e meus ami- gos, na categoria de jovens alienígenas aos olhos deles. Hoje em dia, vou beber em certos lugares e sei exatamen- te como eles nos viam nos idos de 1999-2001. Tenho a idade para entender. E quando converso agora com o Leo tenho somente a sensação de que compartilhamos juntos algo importante em cima daquelas tábuas rangentes, da- quele “piso que não ruía porque balançava” (em retros- pecto quase tudo parece guardar alguma espécie de lição). Eu me compadeço dele por ter aguentado aquela piazada dançando Placebo e pogando ao som de Nirvana na pista de dança do bar dele. Mas a gente lotava aquela joça, bebia pra caralho e amava aquele lugar. Ficamos tristes, muito tristes, quando acabou. Li fragmentos de A Fantástica Fábrica no blog em que o Leo foi publicando aos poucos o rascunho do texto que se tornaria este livro. Desde o começo, apreciei o tom ho- nesto e despudorado que ele adotou, a precisão das descri- ções e a sábia decisão (se é que foi uma decisão) de não romantizar os episódios isolados ou a história do Garagem Hermética como um todo. Quando tive a oportunidade de ler o original inteiro, fiquei encantado com a riqueza de detalhes, com as cenas sórdidas e pitorescas recriadas sem alarde e com a lucidez das breves reflexões mais pessoais
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