15 14 COISAS QUE FICARAM POR DIZER Quando terminei a primeira versão deste ensaio em 2005, utilizei uma expressão que estava em Longes para mostrar ao leitor os limites de minha interpretação da obra de Vitor Ramil: “coisas que ficaram por dizer” ( Adiós, goodbye ). O título do capítulo final também dizia tudo: “Um horizonte que se desloca”. Minha percepção, já na época, é que uma arte que estava em movimento não permitia uma síntese por meio de conceitos. Após três anos de imersão, dei então por concluída a pesquisa. Mudei-me de Porto Alegre para São Paulo, submeti o texto a uma revisão final e o registrei na Biblioteca Nacional. Em seguida, enviei um exemplar para Luís Augusto Fischer que aceitou fazer o prefácio. Eu estava então na iminência de publicar um estudo que, naquele momento, buscava esboçar uma visão de conjunto sobre a arte e o autor da “estética do frio”. ... Inseguro sobre alguns dados biográficos do início de sua carreira (as fon- tes eram bastante escassas na época), consegui um encontro com Vitor Ramil no final de julho de 2005. Atencioso e afetivo, ele havia feito uma leitura prévia de partes do texto e manteve, durante a conversação, uma probidade
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