intelectual que lhe é característica como indivíduo e artista. Mostrou que meu livro não poderia iniciar pelo capítulo A paixão de V segundo ele próprio , pois era necessário refletir sobre o significado de Estrela, estrela . Tentei justifi- car dizendo que em diversas entrevistas ele negara seu primeiro disco após o lançamento, mas não houve jeito. Do mesmo modo, apontou problemas na introdução do ensaio, sobretudo porque eu colocava demais em foco o que outros tinham dito de positivo sobre ele. De fato, com vícios de quem fazia um percurso acadêmico, eu construíra uma apresentação que ia na direção oposta do que eu mesmo estava tentando mostrar. A saber: que o deslocamento dos seus questionamentos sobre identidade, suas autossuperações e criações repre- sentavam a antitrajetória de um artista (para quem a expressão “nascer leva tempo”, de sua autoria, aplicava-se perfeitamente). Naquela noite saí de sua casa com uma dupla sensação: contente por estar com o artista que me abrira muitos caminhos e uma compreensão sobre mim mesmo; e em crise com um livro que eu não tinha mais tempo para refazer em face do Doutorado em Filosofia que eu iniciava na Universidade de São Paulo. ... Em 2008, enquanto fazia o Doutorado-sanduíche, tomei coragem. Duran- te algumas semanas, antes da jornada diária na Biblioteca Nacional da França
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