Para não trair as percepções que possuía ao escrever o ensaio, faço como o filósofo francês: não subtraio nada do seu conteúdo. O texto que o leitor tem em mãos hoje é resultado de uma restauração. Certamente não disponho das mesmas ferramentas que Michel Onfray, mas nem por isso deixei de empregar o melhor de minha habilidade. Da versão de 2005, embora tenha deixado em ruínas o capítulo A paixão de V , remontei-o com as mesmas peças e o excedente foi parar em Estrela, estrela e na “Grama- tologia” (que aporto ao final do livro como material complementar para compreender a obra matriz de Vitor Ramil). Respeitando a intenção inicial de que o livro começasse pela imagem que eu construía na antessala do primeiro capítulo, retirei a introdução acadêmica. Fruto de uma insegu- rança de época, parte de seu conteúdo foi devolvido para o corpo do livro e parte foi parar na conclusão. Do mesmo modo em relação ao capítulo “Pelo território do frio”, no qual fiz notas sobre el gaucho , a melancolia e a milonga: na versão original ficava depois do capítulo sobre a “estética do frio” (1992), mas como o encaixe não fechava num livro em que cada capítulo trata de uma obra do artista, então o movi para o apêndice. Lá ele fez mais sentido, até porque como Vitor Ramil toma o frio como metáfora, um capítulo com o nome que eu dei indica muito mais um percurso pesso- al em temas sugeridos por sua estética.
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