19 18 de quem, que, quando... – e, já então, estribilhos em compassos ternários (...). Seria necessário corrigi-lo, e até onde? (...). Agora, o melhor, o fundamental. Eu não subtraio nada do conteúdo (...). O que fazer? Corrigir de alto a baixo? Isso implicaria em reescrever tudo. Ou suprimir o mais indefensável? (...). Decidi por uma restauração à moda dos antiquários: respeitar o velho objeto, mas reparar as passagens do tempo. Nessa fórmula, a habilidade se impõe. Modificar aqui, recosturar acolá, suprimir uma linha, acrescentar uma palavra, cortar um adjetivo excessivo, derrubar uma redundância de palavras ou ideias. Mas, como o navio de Teseu, cuja totalidade das pranchas recolocadas termina por constituir um novo navio, havia o risco de se encontrar um novo livro... Decidi conservar o barco com seus carcomidos, suas fragilidades, suas fissuras, suas imperfeições. Não em nome do fetichismo da obra de juventude, mas pela vontade de conservar do objeto seu caráter bruto, grosseiro e mal polido 1 . ... 1 ONFRAY, Michel. A sabedoria trágica . Sobre o bom uso de Nietzsche. Tradução Carla Rodrigues. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014.

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=