LUÍS RUBIRA Vitor Ramil – Nascer leva tempo luz Edu Lobo, Baden Powel, Tom Zé, Paulinho da Viola. Foi nesse mesmo período que se afirmaram as carreiras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil – todos dentro do universo da Música Popular Brasileira. Por outro lado, num diálogo com o Jazz ou partindo de novas experimentações, despontavam César Camargo Mariano, Hermeto Pascoal, Egberto Gismon- ti. A partir dos anos setenta, consolidavam-se na MPB vozes diversas como as de Maria Bethânia, Gal Costa, Djavan, Tim Maia, Belchior; e a década também fazia avançar Jorge Ben, Elomar e Zé Ramalho. De outra parte, o rock, que nos anos sessenta encontrara autêntica ex- pressão nos Mutantes, nos anos setenta materializa-se em grupos como Casa das Máquinas e O Terço. No mesmo período, Raul Seixas atingia o auge de sua carreira. Em paralelo a tudo isso, aparecem os mineiros Lô Borges, Wagner Tiso, Beto Guedes, Milton Nascimento e, por outra via, os Secos & Molhados e os Almôndegas. Do fundo do velho samba carioca, Cartola lança em 76 As rosas não falam , e no mesmo ano, negando-se a calar diante do regime militar, Chico Buarque aparece com o disco Meus caros amigos . É nessa época que também Renato Teixeira compõe Romaria e a voz de Elis Regina brilha em canções como O bêbado e a equilibrista – Elis, que vinha de um Rio Grande do Sul que tinha entre seus extremos a música gauchesca de Teixeirinha e o samba melancólico de Lupicínio Rodrigues. Da música internacional também chegavam as múltiplas correntes do passado e aquelas que surgiram nos anos 70. De toda a imensa massa so- nora contemporânea que vem de fora do país, um nome, pelo menos, vai se destacar para Vitor Ramil: o de Bob Dylan, músico que tinha um caminho próprio e que confirmava sua força na segunda metade dos anos setenta com Desire (1976) e Slow Train Coming (1979). É neste cenário multifacetado, composto por centenas de outros no- mes, pertencentes a diferentes gêneros musicais, que Vitor vai inserir-se, tal como outros jovens gaúchos, entre os quais Bebeto Alves, que já par- ticipara em 1978 da coletânea Paralelo 30 , Nelson Coelho de Castro, que surgia em 1979 com o compacto Faz a cabeça , e Nei Lisboa que, neste mesmo ano, iniciava sua carreira artística em um espetáculo cujo nome bem resumia o desafio que estava para vir: Deu pra ti anos 70. Antes de finalizar a década, no entanto, e pouco depois de sua “estreia” em Pelotas, Vitor foi convidado a fazer sua primeira apresentação na capi- tal do Estado. Participando de um show beneficente, ele apresentou-se no palco do Salão de Atos da Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do
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