LUÍS RUBIRA Vitor Ramil – Nascer leva tempo Vitor acabou por receber o troféu “Oscar Meletti”. Os critérios para classificar as canções geraram toda uma discussão 33 e provavelmente Semeadura recebeu um prêmio inferior ao que merecia (curiosamente uma das “linhas” tinha como prêmio o “Troféu João da Cunha Vargas”). Aquele jovem urbano declarou, em pelo menos duas entrevistas realiza- das em 1981, por que havia participado de um festival de música nativista. Algumas de suas críticas em relação à Califórnia eram bastante ingênuas, mas havia uma percepção presente em seus depoimentos que já sinalizavam o rumo que ele tomaria nos anos seguintes: Participo da Califórnia porque este festival está se tornando um acontecimento representativo da mú- sica gaúcha e, de um modo geral (...) o nível mé- dio não é bom, como qualquer festival. Acho que todos os profissionais e novos autores (mesmo os que são rejeitados) devem forçar sua participação para que não se divulgue fora do Rio Grande do Sul uma música que não é representativa do que se faz aqui. 34 Da experiência de ter participado de um festival de música nativista, Vitor Ramil não perdeu de vista a compreensão de que havia um tipo de música pro- duzida no Rio Grande do Sul que não expressava a diversidade de seu Estado. Por volta dos seus dezoito anos ele ainda não entendia onde exatamente estava o problema, mas arriscava: “A principal dificuldade que existe no centro [do país] para aceitar a música do sul é a linguagem regional” 35 . Tateando na su- perfície, mas já com a intuição de que era preciso explorar a música gaúcha em uma dimensão mais universal, compreende-se por que ele se colocava, na época, contra “o reacionarismo da Califórnia” 36 . Não porque sua compreensão 33 “Discutiu-se muito a razão principalmente de duas músicas vencedoras em suas respectivas linhas: ‘ Semeadura ’ (de José Fogaça e Vitor Hugo Ramil) e ‘Romance da Tafona’ (Antônio Carlos Machado e Luiz Carlos Borges)”. (“Muito discutida decisão da 10 a Califórnia”, Folha da Tarde , 16/12/1980). 34 “Vitor Ramil: o mais jovem gaúcho que chegou ao disco”, Correio do Povo , 5/3/1981. 35 Idem . 36 “Sem coquetéis e formalidades Vitor Ramil está lançando LP”, Zero Hora , 21/7/1981.

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