45 44 desse Festival estivesse correta, mas porque em 1981 ele já pretendia buscar outro caminho. Em meio a isso, o mais interessante é observar que Semeadu- ra tinha já a forma da milonga, assim como o fenômeno que seria objeto de síntese na sua arte encontrava-se, de certo modo, na própria Califórnia de que participara. Afinal não estavam ali, de um lado, Atahualpa Yupanqui e, de ou- tro, Sivuca e Inezita Barroso? Não eram esses dois universos sonoros comuns a Vitor Ramil? Naquele início de 1981, entretanto, o envolvimento do jovem músico era com o seu primeiro disco. ... Na praia do Laranjal, em sua cidade natal, Vitor Ramil passou os meses de janeiro e fevereiro compondo e em março iniciou as gravações de seu LP. Enquanto estava envolvido com Estrela, estrela , no cenário musical brasileiro encaminhava-se a realização do MPB Shell-81, o festival que, de certa forma, permitia ao público um diagnóstico da música que se fazia naquele momento no Brasil. De todos os cantos do país houve mais de 60 mil inscrições, mas apenas 60 músicas foram selecionadas. Entre elas uma canção de Vitor, En- genho , indicada pela Polygram. 37 Em abril teve início o festival levado ao ar pelas emissoras da Rede Globo, que constava de cinco eliminatórias, cada uma com doze músicas. Vitor participou da primeira fase e, após o julgamento de sua apresentação, viu-se desclassificado. Acerca do fato, ele comentou dois meses depois: Desastre total. Muito trabalho com o disco – era bem na época da gravação. Pedi para não apresen- tar-me na primeira eliminatória (...). De cabeça atrapalhada, com uma música que não escolhera, fui à luta. Para piorar tudo (...) nem som de retorno havia. Acrescentem a isso minha inexperiência e desgaste físico e mental. Deu tudo errado, mas tudo bem, o festival não é uma coisa importante. 38 37 Trinta vagas eram reservadas para músicas indicadas pelas gravadoras e trinta para aquelas inscritas nas emissoras da TV Globo. (Cf. “MPB-Shell-81: a largada para o sucesso”, Zero Hora , 10/4/1981). 38 “Vitor Hugo Ramil cantor-compositor pelotense lança seu primeiro disco”, Diário da Manhã , 19/6/1981.

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