26 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS um tempo relativo, que relata a História, mas que ali se materializa em sobrepo- sições, camadas, construções e recons- truções que voltam a ser novamente ruínas. É como lembrar do que nunca vivemos, compartilhar uma lembran- ça que não nos pertence, mas que se apresenta toda de uma vez, assaltando a percepção de tempo e espaço, me- mória e História. As cidades guardam suas his- tórias impregnadas em suas ruas e construções, algo que compartilhamos quando estamos nos lugares (de modo consciente ou não). Estando ali, presen- te no lugar, as memórias passam a ser nossas. A experiência ultrapassa os lu- gares e se desloca pelo tempo. Entre a consciência da História e da irracionalidade da memória, as cida- des são relatos coletivos de tempos pas- sados – mas para serem vividos agora. Sehnsucht * ou sobre o esquecimento Se a lembrança e a presença nos luga- res abrem reflexões possíveis sobre os lugares e as coisas, há simetricamente a necessidade de esquecimento nos lu- gares em que vivemos. Pensando nessa relação de memória histórica que as- sume parte de uma memória coletiva, mesmo no presente, as imagens da re- gião dos Alpes começaram a fazer parte da minha imaginação (ou imaginário) sobre a cidade onde estava vivendo. marina camargo
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