28 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS leandro valiati Economia e Cultura: o valor como lugar praticado A cidade, a economia e o valor simbólico O papel da economia da cultura, no te- cido urbano, mostra-se de maneira mais clara na medida em que aumenta a pre- ocupação em todas as partes do mun- do com o incessante crescimento das cidades e os problemas econômicos, sociais e meioambientais trazidos por esse crescimento. Diante dessa situa- ção, a cultura apresenta-se, para além de uma perspectiva econômica, como ca- talisadora da organização urbana, princi- palmente no que se refere à preservação de valores comunitários e na perspectiva de reconstrução do desenho urbano em termos culturalmente sensatos. Ponto fundamental nesse ci- clo é a compreensão dos imaginários urbanos, elementos que compõem como únicos certos aspectos da ma- terialidade urbana, que é, em grande parte, expressa por bens econômicos. Essa cidade, econômica como sistema e locus em que se forma o modo de produção vigente, só é plena a partir do sem-número de significados que se somam a sua acepção material. Afinal, para além do concreto, da madeira, dos tijolos e das relações de trocas que ali se assentam, estão os contextos, os significados, a presença de um pas- sado, a expressão perspectiva de um futuro, os anseios e as representações que aderem ao âmago da técnica e da expressão palpável da evolução hu- mana. Nesse sentido, para Pesavento 1 , “cidade é, sobretudo, materialidade erigida pelo homem, é ação humana sobre a natureza. Cidade é, pois, socia- bilidade: comporta atores e relações sociais, personagens, grupos, classes, práticas de interação e de oposição(...) Entretanto, a cidade é, ainda, sensibili- dade. É a construção de um ethos , que implica atribuição de valores ao que se convenciona chamar de urbano, é produção de imagens e discursos que se colocam no lugar da materialidade e do social e que os representam(...)”. Assumir essa cidade-símbolo, em que a expressão imaginária condiciona e alimenta o material, pleno de compo- sições relacionais, é o elemento que pode permitir ao estudo econômico da formação de bens culturais urbanos colocar-se com efetividade no campo da compreensão desses fenômenos. Assim como o Mercado é a insti- tuição locus da organização econômica atual, as cidades são os entrepostos dos encontros em busca de satisfação indi- vidual que compõem a lógica da acu- mulação do sistema capitalista. Essa in- teração de agentes para o comércio de excedentes contribui para estabelecer a dinâmica do sistema e constitui parte dos pressupostos da urbanização. No modo de produção capitalis- ta, o valor das mercadorias é dado por duas razões que se estabelecem dis- tintamente. Em um primeiro plano, os bens econômicos tem seu valor medido a partir de certas características físicas particulares, que permitem a utilização destes para satisfação das necessida- des humanas. Esse tipo de medida de valor é o que identifica o valor de uso.

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