32 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS leandro valiati Equipamentos Culturais de Porto Alegre no processo de revitalização do centro A área central de uma cidade acu- mula os mais preciosos fatos que marcam a evolução de uma cidade, concentrando uma vasta riqueza de referências culturais que expressam os componentes estruturadores da memória. Também, para Pesavento, “o paradigma da cidade moderna se insinua, com a fetichização da vida: as pessoas se tornam elas próprias mercadorias, saem para olhar e serem vistas, a calçada é uma vitrine e ’ir ao centro’, um espetáculo”. O centro de Porto Alegre fora objeto de sensíveis transformações na década de 1990. Um ambiente predominantemente administrativo e financeiro deu lugar à formação de um “corredor cultural” estabele- cido na região da Rua dos Andradas, sobretudo ao trecho que vai da Pra- ça da Alfândega até a Avenida Pre- sidente João Goulart, culminando na Usina do Gasômetro. Nessa rua, verificamos o surgimento durante a década de 1990 de elementos de re- vitalização a partir da conversão de prédios históricos em instalações de cultura (museus, centros culturais, cinemas, teatros). São eles: a) locali- zados na Praça da Alfândega: o an- tigo prédio dos Correios, tombado em 1980, passou a abrigar o Memo- rial do Rio Grande do Sul em 1998; o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), antigo prédio da Dele- gacia Central de Arrecadação Fiscal, convertido em museu em 1978 e completamente reformado na déca- da de 1990; a antiga sede do Banco da Província, fundado em 1858, que ocupava as instalações da praça des- de 1931, reformado no final da dé- cada de 1990 para implantação do Santander Cultural; b) ao longo da Rua dos Andradas: o Hotel Majestic, luxuoso empreendimento que teve seu apogeu entre as décadas de 1930 e 1950, recebendo chefes de esta- do e personalidades, reformado da década de 1990 para acolher a Casa de Cultura Mario Quintana; no final do prolongamento da rua, já na orla do Rio Guaíba, coloca-se também a Usina do Gasômetro, antiga usina de geração de gás para energia, desati- vada na década de 1970 e restaurada na década de 1990 para acolher um amplo centro cultural. Desse modo, após interven- ções públicas ou privadas, a reprodu- ção material e imaginária de práticas e de consumos culturais confere no- vos sentidos a equipamentos urba- nos tradicionais. Estes, ao receberem nova significância, a partir de sua utilização, transformam-se em equi- pamentos culturais, os quais, por sua vez, contribuem para a formação de espaços praticados, constituindo-se em lugares. Assim, abaixo, passamos a descrevê-los:

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