35 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS VALOR MATERIAL E VALOR SIMBÓLICO As regiões centrais das cidades têm um papel fundamental como constituidores identitários do padrão da vida urbana aos quais as sociedades atuais estão submeti- das. Esse artigo emprenha-se em compre- ender como umconjuntode intervenções urbanas realizadas na segunda metade da década de 1990, no centro de Porto Ale- gre, pode ser descrito a partir de seus efei- tos em termos de formação e reprodução de valores materiais e simbólicos. Aqui caracterizamos valor mate- rial como aquele advindo da tradicional teoria econômica (multiplicadores de emprego e renda, turismo cultural, valori- zação imobiliária) e valor simbólico como a reprodução de estoques imaginários de identidade e representação. Assumimos que há uma ligação íntima entre essas duas formas de valor, em termos de legitimação e formação de bases a partir de um para a existência do outro. Esse processo ganha ares de fenô- meno, dado que omesmo ocorre emum período de tempo localizado (segunda metade da década de 1990), reproduz o que já ocorrera em outros locais do gê- nero e está geograficamente associado a um centro urbano que é retomado após um período de decadência. Muitos elementos podem nos in- dicar então que a formação de lugares praticados para a cultura tem o poder de potencializar os ares da cidade revitaliza- da que, sobretudo, libertam e incluem. notas 1 PESAVENTO, Sandra Jatahy. Memória, História e Cidade: Lugares no tempo, momentos no espaço. Art Cultura, Uberlândia, Vol. 4, p.23. 2 Certeau, Michel de. A invenção do Cotidiano: artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994. 3 Geertz, Clifford. A interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989 4 Kluckhohn, Clyde. Antropologia – um espelho para o homem. São Paulo: Itatiaia Editora, 2005 5 Exemplos cabíveis: capital físico: obra de arte, prédios,etc; capital humano: elementos de aprimoramento intelectual e de conhecimento; capital natural: riqueza natural (renovável ou não renovável). 6 Augé, Marc. Não-Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus, 1994. 7 Ibidem 7 8 Ibidem 7 9 In www.novomundo.revues.org , consulta em 20/11/2007. Pesavento, Sandra Jatahy. Palavras para crer. Imaginários de sentido que falam do passado. 10 Corazza, Gentil. Sistema financeiro e desenvolvimento do Rio Grande do Sul, ANPEC Museu de Arte do Rio Grande do Sul Leandro Valiati é economista (UFRGS), mestre em Urbanismo com ênfase em Economia da Cultura (PROPUR-UFRGS), doutorando em Economia do Desenvolvimento (PPGE-UFRGS). É professor, consultor e pesquisador em Economia da Cultura em diversas instituições nacionais e internacionais, entre elas UFRGS, Facamp, Ministério da Cultura, Unesco e Organização dos Estados Ibero Americanos (OEI). É especialista na construção de indicadores de avaliação socioeconômica de políticas, programas e cadeias produtivas de Economia da Cultura; é organizador e autor dos livros Economia da Cultura: Bem-Estar Econômico e Evolução Cultural , editora da UFRGS, e Economia da Cultura e Cinema: notas empíricas sobre o Rio Grande do Sul , editora Terceiro Nome. Banco da Província / Santander Cultural Foto: Fernando Gomes Banco da Província – Santander Cultural Fundado por um grupo de comercian- tes liderados por LopoGonçalves, o Ban- co da Província surgiu em 1858 como o primeiro banco comercial do Rio Gran- de do Sul. A partir de 1909, passa a ope- rar a caixa de depósitos, permitindo ao banco a concessão de empréstimos po- pulares. Financiou empreendimentos estatais e as primeiras ações da Com- panhia Carris Porto-alegrense. Em 1931, passa a ocupar o prédio da Praça da Alfândega, com projeto arquitetônico de Theo Wiederspahn. Em 1972, funde- -se com o Banco Nacional do Comércio (Banmércio) e o Banco Industrial e Co- mercial do Sul (Sulbanco), dando ori- gem ao Banco Sul Brasileiro. 10 Centro cultural mantido pelo Banco Santander após intervenção de reforma no prédio na década de 1990. Abriga centro de exposições, museu, cinemas e local para palestras, cursos e apresentações musicais. Sede da Delegacia de Arrecadação Fiscal – MARGS O prédio do Margs foi construído por ordem de Rivadávia Corrêa, o então Mi- nistro da Fazenda, para ser a Delegacia Fiscal. O projeto foi obra da empresa de engenharia de Rudolph Ahrons, sendo o arquiteto Theo Wiederspahn. Apenas em 1978, o prédio passou a ser usado comomuseu, e foi incluído no rol de bens imóveis tombados pelos Ins- tituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Instituto do Patrimô- nio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), em 1981 e 1985, respectivamente. No final da década de 1990, foi res- taurado, e suas instalações foram adapta- das para fazer dele um museu de acordo com as convenções para receber mostras de nível internacional. Foto: José Francisco Alves

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