40 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS eduardo hahn A cidade é o espelho de uma socie- dade. Sua organização, seus espaços, e suas manifestações arquitetônicas são o reflexo da atividade humana no decorrer de um determinado espaço de tempo. Observando as diversas formas de expressão urbana, pode- mos compreender a atividade huma- na ao longo de sua história, seus gos- tos, seus ritos, sua forma de pensar e de agir. A cidade contemporânea pode ser considerada um livro de his- tórias contadas por centenas de mi- lhares de pessoas que durante a sua existência manifestaram ativamente a sua forma de pensar, construindo edificações ou espaços que represen- tavam o seu estado de ser. Uma cidade não deve ser ape- nas observada, ela deve ser lida nos seus pequenos detalhes, pois está re- pleta de capítulos de uma história que é, na realidade, a história do homem que a construiu. A variedade de estilos arquitetônicos, de materiais e técnicas construtivas, as diversas formas e volu- mes demonstram os diferentes valores referentes à vida social de um núcleo urbano através dos tempos. As cidades brasileiras são o espelho desse fenôme- no. Porto Alegre não fica atrás. Caminhando pelo centro de nossa cidade, nos deparamos com um universo de informações esculpidas e moldadas nas centenas de facha- das dos edifícios. Se observarmos com O homem e a cidade cuidado, poderemos compreendê-lo. A simplicidade do colonial luso-brasi- leiro das paredes laterais da Igreja de Nossa Senhora das Dores represen- ta os primeiros tempos de ocupação do nosso território. Tempos difíceis de reconhecimento e luta e da busca de uma representação física de união en- tre a colônia e a metrópole portuguesa. A harmonia do neoclássico , nas facha- das do Teatro São Pedro, e o esplendor do ecletismo , nos prédios do Museu de Artes do Rio Grande do Sul ou do Me- morial do Rio Grande do Sul, entre ou- tros, refletem a riqueza de uma socie- dade em processo de enriquecimento econômico decorrente da industrializa- ção e a miscigenação cultural de povos de origem europeia, que sempre busca- ram em seus países de origem um pa- drão estético a ser seguido. A desenvoltura do art nouveau , na fachada da antiga Farmácia Carva- lho, em plena Praça da Alfândega, ca- racteriza a alegria de uma sociedade em plena Belle Époque , enquanto no art déco percebe-se a busca da moder- nidade pela ornamentação geométri- ca. A frieza do modernismo , rompe as amarras com o passado e expressa, em sua simplicidade de linhas e quase au- sência de ornamentos, a luta por uma sociedade mais homogênea e justa. Por fim, o pós-modernismo contem- porâneo , na sua diversidade de formas e vertentes, exibe o retrato de uma sociedade globalizada e perdida pelo valor do capital. A variedade de estilos arquitetônicos, de materiais e técnicas construtivas, as diversas formas e volumes demonstram os diferentes valores referentes à vida social de um núcleo urbano através dos tempos

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