11 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS (www.exorcismosurbanos.com.br) , con- cebida pela Nômade Ind. (www.estudio- nomade.com) e vencedora do Prêmio Funarte de Produção Cultural Crítica para Internet em 2010/11. Usando esse projeto como base de análise, com toda a liberdade, pois compartilho de sua idealização, lanço questões acerca de dois movimentos, “1# ao avesso e 2# de dentro para fora”. Acredito que com eles possa fazer uma costura importante dessas éticas que permeiam todos esses projetos e colocar o exorcismo urbano como uma potente ferramenta de saú- de para o desenvolvimento de novas percepções e atitudes com a cidade. Ao avesso Parte da missão de projetos como Exor- cismos Urbanos está em criar um novo mapa para os espaços urbanos. Mapas que pretendem mostrar o incomum, o não visto, o incerto, o feio, o misterioso, ou o oculto. Essa cartografia, portanto, percorre por vias alternativas as rotas tradicionais e, às vezes, escapada até dos olhos do grande irmão google . O movimento de descoberta e de ressignificação da cidade vai na contramão de abrir novos terrenos e limitar espaços restritos de convivên- cia. Vai, sim, no sentido de honrar a história, a diversidade e a qualidade dos espaços públicos que estão bem próximos de nós, aqueles pontos por onde passamos todos os dias. O ato exorcista marca uma presença, consiste em registrar um personagem mascara- do em um local da cidade que está pre- cisando ser revisitado, é um ritual poé- tico que coloca uma intenção de vida no território. O conceito/significado de “exorcizar” é mais conhecido, através da prática da igreja católica, como uma ação para “expulsar o mal”. Porém, na verdade, o exorcismo também existe em uma série de outras culturas, rece- bendo outros nomes, mas sempre co- nectado a um processo ritualístico, em que se busca contato direto com as for- ças negativas para exercer uma comu- nicação com ela. O personagem exor- cista se confunde com um ser maligno, pela sua intimidade com o “demônio”. É um movimento de fusão, ou de “não diferenciação entre o bem e o mal”, são as duas coisas ao mesmo tempo. Uma expressão de força potente, conhecido por alguns como abraxas – deus e dia- bo na mesma figura. A igreja católica pode ter contaminado esse conceito porque o dogmatizou e tentou purificá- -lo, colocando sob ele uma legenda do “bem que expulsa o mal”, enquanto o exorcismo urbano que falo aqui é um ato de entrega para o mistério. Nessa doação, acaba transformando e sendo transformado, não existe estabilidade. O resultado dessa entrega, que confunde deus e diabo, bom e mau, positivo e negativo, mistura tudo isso, é mostrar a cidade no seu avesso. Ora, em se tratando de uma plataforma colabo- rativa, em que todo interessado pode fazer uso dela, cria-se um potencial de Exorcismo Urbano como uma potente ferramenta de saúde para o desenvolvimento de novas percepções e atitudes com a cidade.
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