12 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS Daniel MÜller Caminha identificação de territórios tremendo. Aos poucos, podemos pensar em ter toda uma cidade visitada pelo seu aves- so, novos olhares para o que parecia não existir. Não serão apenas os cami- nhos nobres e iluminados a serem apre- sentados pelos mapas. Nesta interface, ampliamos a relação com a cidade, fi- camos mais próximo dela, visceralmen- te. Transitamos dentro do seu corpo, não apenas na sua superfície, mas por dentro dos seus órgãos. Essa intimida- de com o urbano é uma inteligência de comportamento que transforma profundamente as condições de vida e ressignifica a geografia do cotidiano com novos sentidos. De dentro para fora Para qualificar os espaços que o exor- cista busca e, assim, dar uma caracte- rística para agrupá-los em uma mesma categoria de “lugar exorcizável”, defini- mos uma expressão e a denominamos “antilugar”. Basicamente, significa a ideia/sensação de isolamento e nega- ção que determinado território possui. Esse conceito não deve ser confundido ou interpretado com relação ao traba- lho do etnólogo francês Marc Augé, que escreveu sobre os “não lugares” e também deve ser diferenciado da pro- posta presente na obra do artista norte americano Robert Smithson, que tra- balhou a perspectiva dos “não lugares” em seu processo de pesquisa nos Land Arts. Com certeza, o exorcista foi in- fluenciado por essas produções que o antecederam, mas preserva aqui uma intenção própria com o nome “antilu- gar”. Sendo uma expressão que desig- na uma relação específica que surge entre o território urbano e o potencial exorcista, as outras pessoas, não envol- vidas nesse processo, provavelmente não colocam esse tipo de tag em um local. Ou seja, o antilugar não exis- te por si próprio, ele só ganha esse nome quando uma pessoa (potencial exorcista) é afetada pelo seu estado de esquecimento, abandono, nega- tividade, exclusão. Nesse momento, em que acontece a conexão entre o sujeito e o território, se faz necessária a expressão: antilugar. Isso significa e talvez seja a gran- de chave de tudo, que o movimento de redescoberta da cidade, dentro da pro- posta do Exorcismos Urbanos, está di- retamente relacionado a um impulso extremamente íntimo, que nasce de dentro do sujeito e ganha forças in- controláveis e, por esse motivo, pre- cisa ser expressado. Quando um am- biente se transforma em um antilugar pela percepção de quem o encontrou, então o exorcismo já está acontecen- do. Esse vínculo particular da pessoa com um espaço específico da cidade é o maior interesse e valor do projeto, já que coloca em evidência uma inten- Danilo Christidis, Rua Felipe Camarão, em Porto Alegre

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