26 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS ANDRÉ VENZON precisa ser repensado é o nosso concei- to de espaço urbano, ao que ele nos dá direito, e também deveres, em termos culturais e artísticos. Sabemos que na polis grega, os templos eram construídos para as está- tuas, e não as estátuas para os templos. Em Porto Alegre mesmo, o Museu Iberê Camargo comprova que é possível pen- sar a arquitetura com tal perspectiva ar- tística. O prédio construído por Álvaro Siza já é reconhecido como patrimônio cultural e tem conquistado representa- tivas premiações mundialmente. Ago- ra, é preciso pensar a cidade também como obra de arte para restabelecer um diálogo cultural e educativo entre ela e nós mesmos. Porém, no restante da blica, baseado na ideia que dela não se beneficia apenas a população inde- terminadamente, mas se beneficiam também as pessoas que frequentam de forma habitual esse edifício ou espaço. No entanto, tais leis podem se reve- lar ineficazes, na medida em que não tomamos consciência da cidade, ou seja, do espaço ao nosso redor, a partir da relação com uma obra de arte, que passa a representar poeticamente o lu- gar onde moramos ou trabalhamos – o nosso lugar. Na realidade, o que está em questão é o esforço do indivíduo, muito além daquele financeiro, para recuperar o valor simbólico, econômico e cidadão do modo de perceber e pensar a cidade e a sociedade em que vivemos. O que capital dos gaúchos, o que se observa não é só um desprezo em relação à arte pública, mas à arquitetura e ao próprio espaço urbano, sendo a recente onda de vandalismo generalizado que obser- vamos um sintoma disto. A nosso ver, existem duas razões bem definidas para esta situação. A primeira deve-se à ine- ficiência da gestão pública destas obras de arte. A outra é a total alienação da sociedade que, diante de um quadro de terror cultural, revela-se histericamente preocupada com a segurança particular e passa a habitar e trabalhar em oásis de tranquilidade – condomínios fechados e torres empresariais – emmeio ao caos da metrópole. Exemplo dos não luga- res que investem no tradicional “estilo Foto de André Venzon sobre detalhe de pintura de Paula Plim e Jotapê Pax

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