14 URBE | # 04/04 | EFEMERIDADES URBANAS Tchau, tchau, belo horizonte débora fantinI efemeridades Emparalelo aoboomde grandes obras, a capital mineira também é reconstruí- da em intervenções urbanas que po- dem não durar na paisagem, mas têm potência para se impregnar na memó- ria de forma poética. Não tenho me cansado de repetir “tchau, tchau, belo”, para me despedir do horizonte da minha cidade, desapa- recendo atrás de arranha-céus. Em Belo Horizonte, até o rio sumiu em alguns trechos, canalizado e coberto pelo as- falto que se alastra com a abertura e a ampliação de vias, num boom de obras que vêmmodificando a paisagemda ca- pital mineira na última década, sobretu- do nos últimos cinco anos, na urgência do Programa de Aceleração do Cresci- mento (PAC) e na iminência da Copa do Mundo de 2014, da qual BH é uma das cidades-sede. Essa Belo Horizonte (re)construída pela iniciativa privada e pela administra- ção pública não corresponde à cidade desejada por alguns de seus habitantes, que partem para a criação de suas pró- prias intervenções na capital. Sem per- seguir o caráter perene fundado sobre o conceito de propriedade, cidadãos co- muns ou artistas adotam táticas de uso da urbe como interferências imagéticas, ocupações móveis, ações temporárias, por meio das quais se tenta escapar, mesmo que momentaneamente, ao controle do capital e do Estado. Essas in- tervenções urbanas não duram na paisa- Foto: Dereco Machado
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