22 URBE | # 04/04 | EFEMERIDADES URBANAS O meio digital como possibilidade de permanência do efêmero CCD POA Este ano, Porto Alegre foi pre- senteada com algumas intervenções urbanas efêmeras, que ilustraram o mo- mento artístico e questionador do atual contexto cultural que a cidade respira. Intervir usando a arte como meio para expressar opiniões e indagações sobre a cidade não é algo novo. Porém, a possibilidade de articulação e de pro- pagação das causas que estamos viven- do através do meio digital é recente e de um alcance que ainda não temos condições de mensurar. O advento das tecnologias di- gitais e a sua popularização, somado a uma nova geração criativa que enxerga e não se conforma com os problemas ou a falta de opções na cidade, pro- porciona um ambiente extremamente favorável para a criação de novas redes de contatos. E são a partir dessas redes que surgem as ideias para as manifesta- ções urbanas. Omovimento Occupy Wall Street foi um dos precursores dessa tendência, com suas atividades ganhando força pela rede social Facebook, e conseguin- do reunir milhares de pessoas presen- cialmente num protesto contra a de- sigualdade econômica e social. Assim como essa iniciativa, outras surgiram e utilizaram o meio digital para sua co- municação e organização. Porto Alegre é uma das capitais do Brasil que abriga vários coletivos criativos com o propósi- to de promover ações culturais e sociais interferindo positiva e efemeramente no dia a dia da cidade. A interferência cultural na cida- de pode ser transitória na ação, mas, ao usar o meio digital em seu processo – para criação ou registro – acaba por ressignificar a questão de efemeridade, já que, de alguma forma, o digital deixa rastros, memórias on-line e oportuniza conexões entre pessoas que podem continuar a ter contato ou até mesmo a criar novas intervenções. É aí que as intervenções urbanas cruzam com a cultura digital, reforçando os conceitos de compartilhar e construir. E o impacto dessas ações – meio físicas, meio digitais – é sentido em real time . Diversos pensadores e autores se empenham em definir o que é exata- mente a Cultura Digital, como ela vem modificando nosso comportamento e nossa maneira de se relacionar com as pessoas, com o ambiente em que vive- mos e com o próprio tempo. Gilberto Gil, na época em que era ministro da Cultura, afirmou que: O uso pleno da internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizando os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificando os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura. 1 Já os pesquisadores Bianca San- tana e Sergio Amadeu da Silveira cita- ram que: (...) a cultura digital é uma realidade de uma mudança de era. Como toda mu- dança, seu sentido está em disputa, sua aparência caótica não pode esconder seu sistema, mas seus processos, cada vez mais auto-organizados e emergen- tes, horizontais, formados como des- continuidades articuladas, podem ser assumidos pelas comunidades locais, em seu caminho de virtualização, para ampliar sua fala, seus costumes e seus interesses. A cultura digital é a cultura da contemporaneidade. 2 Percebe-se que tanto a realida- de vivenciada no espaço físico quanto a realidade vivenciada no ciberespaço estão interligadas. Essa conexão estrei- ta torna mais difícil separar o digital das
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