24 URBE | # 04/04 | EFEMERIDADES URBANAS Cinemateca Capitólio; o Cine Coral; o Bar Ocidente; a Lancheria do Parque e algumas faixas de segurança, como a do cruzamento da Rua 24 de Outubro com a Rua Hilário Ribeiro. Poemas de Carlos Drummond de Andrade, Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Cartola e até letras de mú- sicas, foram escritos no chão e em al- guns muros dos locais escolhidos. As frases se relacionavam com os espaços. A Cinemateca Capitólio, por exemplo, fechada desde 1994 e sem data para reabertura, recebeu o trecho de um poema de Drummond, “Tenho razões para sentir saudades de ti” . Para escrever, foram usadas las- cas de gesso (cal), que não agrediram as superfícies. A escolha deste material aciona a efemeridade da ação, já que as frases irão apagar-se com o passar do tempo, seja pela água da chuva, pela limpeza das calçadas ou pelo sim- ples caminhar das pessoas que ali cir- culam. Os interventores usaram as re- des sociais como plataforma de apoio, criando um grupo fechado no qual foi discutida a ideia da ação, sua organiza- ção, referências, trocas de materiais de pesquisa e a seleção dos poemas. Durante a execução da inter- venção, os observadores e transeun- tes questionaram onde poderiam en- contrar os registros do trabalho que estavam vendo naquele momento, nascendo a necessidade da ação estar presente também no meio digital. O desejo daquelas pessoas era acessar, pela internet, o conteúdo da interven- ção, tanto para ver e entender o proje- to como um todo, quanto para divul- gá-lo em suas redes pessoais. Esse comportamento ilustra a ân- sia de participação, mesmo que passiva, de indivíduos que não estão envolvidos diretamente nas intervenções urbanas. Essas ações provocam diálogo entre os habitantes e a cidade – entre o coletivo CCD POA Fotos: Felipe Rosso
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