32 URBE | # 04/04 | EFEMERIDADES URBANAS Clarissa Eidelwein e Kellen Lazzari siderado o precursor da arte de rua na capital gaúcha. Manifestação, esta, que surgiu efêmera, transgressora, com ca- ráter de protesto ou mesmo denúncia. Logo, incomodava e não tinha vida longa. As pichações foram promovidas a grafites, ainda uma atividade margi- nal, até atingirem na última década do século 20, consolidando-se nos anos 10 do terceiro milênio, o patamar de arte urbana. O que começou como um movi- mento que aflorou das ruas gerou íco- nes, entre eles, os ingleses Banksy e Stik, o francês Space Invader, SpY, de Madri, OsGêmeos, do Brasil, que hoje têm suas obras espalhadas pelo mundo inteiro – exemplo disso é uma intervenção em um muro da Faixa de Gaza atribuída a Banksy, o mais anônimo e misterioso dos artistas pós-modernos. As institui- ções, atentas, passaram a promover ações para perpetuar esta arte, que passou a produto de consumo, chegou às galerias, ganhou preço, deixando de ser de rua. A institucionalização da arte ur- bana também ocorre por parte do po- der público. A prefeitura de Londres, para preservar uma obra de Banksy, determinou o tombamento do muro de um prédio condenado à demolição para construção de um grande empre- endimento. No Brasil, na tentativa de humanizar as cidades cada vez mais frias e sem identidade, muros de pré- dios públicos e viadutos em capitais como São Paulo e Porto Alegre tornam- -se suportes oficiais para obras de artis- tas de rua, com autorização e tudo. Com a transformação da antes marginal arte urbana em produto de consumo, os artistas passaram a colher os louros dessa mudança de comporta- mento da sociedade. Porém, há quem questione a postura “capitalista” de al- guns artistas. Stik, um ex-morador de rua para quem a arte urbana é o maior movimento de arte da história huma- na, foi criticado por alguns fãs por ter se “vendido ao sistema” na abertura de uma exposição em uma importante galeria londrina. O americano Shepard Fairey, autor de um dos cartazes de di- vulgação do movimento Occupy Wall Street 3 , recentemente foi alvo de críti- cas grafitadas sobre suas obras acusan- do-o de fazer parte do 1% da população que concentra grande parte da riqueza dos Estados Unidos, a quem se desti- na o protesto pacífico antiglobalização considerado por Lipovetski o grande acontecimento do século 21 até então. A longevidade das intervenções na rua em forma de grafite, stêncil, stickers, colagens já é uma realidade; entretan- Hanging on 2 , intervenção de Slinkachu emMong Kok, Kowloon, Hong Kong, 2011 http://little-people.blogspot.com.br/
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