33 URBE | # 04/04 | EFEMERIDADES URBANAS to, há outro tipo de arte com data de validade próxima do vencimento des- de a sua produção. O artista londrino Slinkachu em seu projeto Little people in the city 4 , desde 2006, realiza instala- ções que são fragmentos do cotidia- no em miniatura. A partir de qualquer elemento da cidade, uma poça d’água, uma bagana de cigarro, uma casca de bergamota, uma pomba, um inseto, um copo de Mac Donald’s ou um osso de frango do KFC, o artista cria um cenário em que pequenos bonecos interagem, muito frequentemente, com o lixo ur- bano, o excedente do capitalismo. Não há como a obra ser mais efêmera, já que dura o tempo que a lesma leva para se deslocar, a ave voar ou as moscas to- marem conta, o que pode até formar outra obra. Tudo é registrado em foto- grafia, em plano fechado, intermediário e aberto. As imagens geram exposições, livros, catálogos etc. A sociedade contra-ataca Se os consumidores – a ideia era falar em população, sociedade, mas a palavra re- trata melhor como somos vistos e trata- dos na era do consumo – não têm tem- po de decidir o que de fato necessitam ou o que melhor preenche os requisitos do seu desejo, vence quem convencer o cliente da indispensabilidade do seu pro- duto ou serviço ou quem oferecer uma promoção imperdível em que realmente não há tempo para pensar, ou ainda pelo cansaço. Existe até ferramenta para tal. São os programas utilizados pelos prin- cipais anunciantes da internet que, pelo IP do consumidor, rastreiam suas poten- ciais aquisições e bombardeiam o cliente a cada site patrocinado com a imagem daquele tênis, skate, som, batedeira pla- netária, panela elétrica para arroz, i-tudo que é coisa e segue a lista. Difícil é encon- Hanging on 1 , intervenção de Slinkachu em Mong Kok, Kowloon, Hong Kong, 2011 http://little-people.blogspot.com.br/
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