10 O Muro da Cidade e do Rio Um muro é sempre uma separação. É o limite entre um lado e outro. Pode servir para determinar espaços de posse entre propriedades particulares ou para separar ideias divergentes, como o Muro de Berlim, ou simplesmente como o Muro da Mauá, para separar a cidade do rio, que, na verdade, é um lago, para assim protegê-la de suas águas em caso de enchente. O nosso muro, polêmico ou incontestável, gera muitas manifestações. Escritores gostam de escrever sobre ele, cineastas gostam de usá-lo como cenário em filmes, artistas visuais gostam de pintá-lo ou grafitá-lo. Em 1994, realizou-se a primeira intervenção no Muro da Mauá, em homenagem aos 222 anos da cidade de Porto Alegre, no âmbito do projeto de descentralização da cultura, coordenado por Ben Berardi, Alex Ramirez e Silvinho Ayala. Participaram oficineiros, oficinandos e artistas consagrados. Dois anos depois, quando dirigíamos a Coordenação de Artes Plásticas da Secretaria Municipal de Cultura, organizamos com a participação de professores do Atelier Livre e de artistas visuais da cidade, coordenados por Claudio Ely, a segunda ação de pintura no Muro da Mauá. Nestes anos, eram poucas as intervenções urbanas na cidade e, por essa razão, a repercussão foi muito positiva: para os porto- alegrenses, a alegria e o enriquecimento cultural, para os artistas, a oportunidade de dialogarem diretamente com o público através de sua arte. A arte de rua começava a ter mais importância na cidade de Porto Alegre e iniciava-se um período de maior valorização dos artistas. Nos anos de 2001 e 2002, no Fórum Social Mundial, pela Secretaria Municipal de Cultura, realizou-se novos projetos de pintura do Muro, com a participação de artistas consagrados de trajetória significativa nas artes plásticas do Rio Grande do Sul.

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