Palco Giratório 2025
028 ainda não classificável. um festival cria oportunidades, sai do eixo. a oportuni- dade precede a qualidade. um lance de dados. curadoria é tática, ato mutante guiado por uma estratégia política de gestão da programação. ///////9/////// a forma como você estrutura a programação do festival é um anagrama de vida e de morte. diva/ metro. estrelas percorrendo distâncias. um festival diz a que veio quando o pal- co é tão diverso quanto a plateia. pro- gramar em nome de quê? de quem? a programação não é necessariamente um espelho da sociedade secreta dos programadores. cuidado: programar não é copiar e colar. favor não confundir com a preguiçosa atitude de ajustar em sequência os melhores do mundo. pro- gramar é trair, sobretudo a norma. no divã dessa conversa está o inte- resse de pôr em questão a tentação de padronização do gosto público. quem programa um festival tem que ter a ca- pacidade de se espantar. gire seu campo de visão. a programação de um festival de artes cênicas é um laboratório expe- rimental. experimentar é avançar sobre o que já foi conquistado, empurrando para o novo, para o desconhecido, re- gulando o equilíbrio entre o comum e o incomum. não é regra, não é lei, só um zigue-zague nas formas de vida. ///////10/////// o mundo cultural possui uma dimensão social que intera- ge comos mais diferentes lugares da so- ciabilidade atual. seu desenvolvimento se dá por meio de uma cadeia produtiva dinâmica e diversa: produção, distribui- ção, troca, uso. emergem desse jogo de poder criaturas especializadas que se tornam intermediárias entre artistas e mercados desta imensa rede econômi- ca, em nome de uma indústria criativa, pelo sim/pelo não. é claro que o mundo da arte pode ser plenamente controlado pelos próprios artistas. ///////////12//////////// Referências Agamben,Giorgio.Acomunidadequevem.Autêntica,2013. Cruz,Sidnei.CatálogoPalcoGiratório.SescNacional,2003. Cruz, Sidnei. Teatro giratório. Entrevista. Revista Folhe- tim, nº 21. Teatro do Pequeno Gesto, 2005. Cruz, Sidnei. Mambembão e Palco Giratório: marcas na história da difusão das artes cênicas no Brasil. Artigo. Revista Folhetim, nº 27. Teatro do Pequeno Gesto, 2008. Cruz, Sidnei. Palco Giratório: uma difusão caleidoscópica das artes cênicas. Publicação. Dantes, 2009. Cruz, Sidnei. Mostra Sesc Cariri de Cultura: gestão e de- senvolvimento cultural local. In: Calabre, Lia. Políticas culturais: teoria e práxis. Observatório Itaú Cultural, 2011. Cruz, Sidnei. Uma utopia da aldeia: cultura e coletividade anônima. Publicação. Móbile, 2015. Cruz, Sidnei. Entrevista. In: Rolim, Michele. O que pensam os curadores de artes cênicas. Cobogó, 2017. Garbero, Maria Fernanda et al. Arte e cultura no tempo presente (1985-2016). In: O tempo da Nova República: da transição democrática à crise política de 2016: Quinta Re- pública (1985-2016). Civilização Brasileira, 2018. Maffesoli, Michel. Sobre o nomadismo: vagabundagens pós-modernas. Record, 2001. Magri, Ieda. A escola e a formação de novos públicos. Re- vista ArteSesc, nº 3. Sesc/RS, 2008. a programação cultural deveria ser sempre o resultado de um processo constante de perguntas sobre a realidade com a qual ela pretende estabelecer um diálogo, um dissenso, uma estridência. ///////11/////// a guerra que se tra- va para administrar tudo isso é insana. lugares praticados dentro dos limites do pragmatismo capitalista. esta lógi- ca predomina, normatiza as relações. paralelamente, dentro dessa lógica que possui suas frestas, outros praticantes penetram, trilham outras sendas, pers- pectivas diferentes. os visionários in- dependentes sonham e praticam outros modos de gestão, com sotaques diversos e diálogos multilaterais. o projeto palco giratório é uma escola livre, permanente e continuada de gestão cultural privada com fins públicos. é uma aventura, en- genhoca provocadora de sensações e emoções. sua condição nômade abriu caminhos para a reinvenção da arte de mambembear. e o festival palco giratório sesc porto alegre, rio grande do sul, é um dos seus principais cartões-postais, uma pérola. só sei que foi assim, o resto é his- tória. ainda estamos aqui reaprendendo a sonhar, sonhar com intenção, sonhar com as imagens da transfiguração. va- mos para a festa? bora para o festival?
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=