118 para a construção de um cemitério extramuros, isto é, fora dos limites ur- banos. A lei atendia a antigas reivindicações dos médicos brasileiros que, apoiados na literatura médica francesa, condenavam os sepultamentos realizados junto ou dentro das igrejas. A tendência que buscava mudanças nessas práticas vinha apoiada nas ideias surgidas a partir do Iluminismo na Europa e no desenvolvimento científico ocorrido através do século XIX, quando a localização dos cemi- térios passava cada vez mais a ser considerada, mais do que uma questão religiosa, um assunto médico, a ser tratada de forma científica e planifica- da como um equipamento urbano, com construções projetadas para esta função. As ideias transformadoras começaram a surgir no século XVIII na Fran- ça, mas a efetiva retirada dos cemitérios das áreas urbanas só ocorreu na Europa no século XIX, devido à resistência dos setores mais tradicionais. As mudanças no Brasil aconteceram quase simultaneamente, mostrando a influência do pensamento europeu, principalmente francês e a rapidez com que estas ideias higienistas foram disseminadas no novo continente, apesar de certa resistência inicial dos setores católicos mais tradicionais, principalmente das Irmandades, instituições leigas de caráter religioso, que consideravam as ideias higienistas uma intromissão dos racionalistas nos assuntos da igreja. Por outro lado, a elite cultural brasileira, formada então pelos médicos e juristas, inspirada no Iluminismo, desejava elevar o país ao nível da cultura

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