024 E, como espaço havia, muito foi sendo deixado para trás, coisas guardadas para reencontrar talvez um dia, se acaso, acontecesse um improvável re- torno. Muitos armários, diversas prateleiras, incontáveis gavetas. E, como é de se imaginar, inúmeros documentos, papéis, cartas, cartões postais e fotografias. Lembro quando achamos, bem no fundo de uma prateleira de um armário atrás de uma porta, duas caixas grandes ainda dos tempos do escritório do vovô, com projetos, plantas de obras, esboços, cálculos, rascu- nhos, orçamentos, cadernos e livros. Toda essa documentação, depois de alguns “passeios” – e com o acordo de meus irmãos e primos – est á hoje sob a tutela do Centro de Memória do Conselho de Arquitetura e Urbanismo-RS. Para a Biblioteca do Instituto de Arquitetos do Brasil/RS destinamos seus livros técnicos. Essas duas instituições foram as escolhidas pois guardam, conservam e disponibilizam não só aos arquitetos, mas também abrem ao público seus acervos para consultas. As muitas fotografias foram copiadas e distribuídas entre a família e tenho comigo algumas cartas e cartões pos- tais, escritos por meu avô à minha avó. Datam de 1910, ano de sua chegada ao Brasil, até seu retorno à Itália para casar-se, em 1913. Existem ainda al- gumas poucas comunicações de viagens profissionais dele a Buenos Aires, quando o casal já estava estabelecido em Porto Alegre. Selecionei alguns trechos para integrar este texto, todos identificados com AB e devidamente datados, tudo originalmente em italiano, que eu mesma me encarreguei da tradução. Talvez tenha sido a forma que encontrei de, por sua própria fala, trazer a presença dele até nós.
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=