025 Depois de muitas dúvidas, escolhi situar o começo dessa história na segun- da metade do século XIX, em Castelfranco Emília, província de Modena, re- gião da Emília-Romanha, norte da Itália. Naquele pequeno vilarejo de pouco mais de cinco mil habitantes, Rafaelle Morganti Boni e Emma Magni Nan- netti nasceram – ele em 1859, ela em 1865 – cresceram, se conheceram e decidiram formar família. Rafaelle já trabalhava como guarda-freios 2 numa pequena ferrovia regional 3 e assim seguiu. Emma passou a se dedicar às ta- refas da casa. De acordo com livros de registros da paróquia local, casaram- -se em 9 de maio de 1886 e, passados apenas dois meses da formalização do matrimônio, nasceu o primogênito (e meu avô) Armando, em 10 de julho do mesmo ano. Algum tempo depois, a família mudou-se para Voghera, onde nasceram mais três filhos. O primeiro, Pietro Paulo, teve vida curta: nasceu em 1888 e morreu pouco antes de completar dois anos. Em 1891, veio o fi- lho seguinte que, estranhamente ou talvez por costume da época, recebeu o nome do irmão morto, mas que sempre foi chamado por todos de Pierino 4 . E, em 1893, chegou Ernesto. 2 Arriscada profissão ferroviária, o guarda-freios andava sobre os trens em movimento, apertando e afrouxando o freio mecânico de cada vagão. Esse sistema manual foi utili- zado até o surgimento do freio pneumático, criado pelo engenheiro estadunidense George Westinghouse em 1869, mas que demorou a ter seu uso disseminado. 3 Essa empresa regional desenvolveu-se e em 1905 foi ampliada, nacionalizada e transfor- mada nas Ferrovie dello Stato , atualmente o maior sistema ferroviário da Itália, com linhas nacionais e internacionais. 4 Morreu e foi enterrado em agosto de 1945, em Porto Alegre. Na lápide da família, no Cemi- tério São Miguel e Almas, está grafado Pierino Boni.

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