educaSesc#4

11 EDUCA SESC 2020 eficiência do convívio social, que ele não só auxilia na aprendizagem como também traz bem estar psíquico e físico, pois é uma necessidade humana desde o seu nascimento até o fim de sua vida. Além dos comportamentos atípicos, vários pais relatam a falta de vontade e motivação das crianças em fazerem as atividades formais da escola regular até mesmo brincadeiras e dinâmicas que sugerimos. A palavra-chave da teoria de Vygotski é a interação social, que implica dizer que o desenvolvimento do indivíduo se dá através da relação com o outro e com o mundo. Nesse sentido, pode-se afirmar que as crianças aprendem muito com a interação social e esse isolamento e do convívio de outros grupos sociais pode estar afetando suas vidas não só em relação à aprendizagem, mas também no seu desenvolvimento emocional. Nos encontros virtuais que foram feitos exclusivamente com as crianças é notória e gritante a necessidade que elas estão sentindo desse relacionamento com o outro, de poderem se expressar de inúmeras maneiras e de compartilharem seus aprendizados, quando enxergam os outros pela tela do celular ou computador querem contar tudo o que estão fazendo, aprendendo, vivendo e sentindo nesse momento, todos falam juntos sem parar, sorriem e se emocionam em dizer que estão sentindo falta dos colegas e educadoras. A socialização é um processo de aprendizagem que se apoia, em parte, no ensino explícito e, também em parte, na aprendizagem latente – ou seja, na absorção inadvertida de formas consideradas evidentes de relacionamentos com os outros. (OUTHWAITE, 1996, pag. 710). O Projeto Habilidades de Estudos do SESC visa muito essa relação da criança com seus pares e com o mundo, já que entende que são a partir dessas relações que as crianças se desenvolvem, aprendem e que essa aprendizagem de fato faz sentido. Levando em consideração o que Lev Semenovitch Vygotsky retrata sobre como o indivíduo adquire conhecimento, sendo ativo e interativo, a partir das relações intra e interpessoais, será que estamos pensando em como está ocorrendo essas relações e transmissões de conhecimento para as crianças? Será que não estamos enchendo elas de informações sem sequer nos sensibilizarmos em como isso lhes chega? Enfim, no relato dos pais mencionado anteriormente podemos perceber que as crianças estão sentindo muito mais do que possamos imaginar e que elas não estão conseguindo de fato se expressarem como gostariam, pois precisaram de uma hora para outra ficarem reclusas em suas casas. Pensando em estreitar ainda mais os vínculos, além do encontro semanal via chamadas de vídeos, escrevemos cartas em que expusemos a singularidade de cada criança. Foram dias de grandes emoções, escrevê-las mexeu com nosso emocional muito mais do que imaginávamos. Entre uma palavra e outra foi surgindo uma saudade muito grande, entre uma lembrança e outra surgiram lágrimas escorrendo pelo rosto. “Quemdiria que esse distanciamento nos afetaria tanto assim, esperamos que as crianças ao receberem as cartas se sintam extremamente acolhidas e amadas, pois de nossa parte não há como mensurar a tamanha falta que elas fazem” cita a instrutora Géssica. “Ao escrever as cartas para as crianças não tinha como não pensar em cada uma individualmente, pois sabemos que cada uma tem anseios e necessidades diferentes e nosso propósito era fazer com que cada uma se sentisse realmente acolhida, ouvida e que recebesse todo nosso afeto através daquele singelo gesto”, acrescenta a instrutora Nivalda. Ao receber a carta, uma das mães enviou vídeos da criança abrindo-a e lendo-a, quando a mãe pergunta o que é, ela começa a falar que é uma carta do Sesc e começa a chorar. Chora ao ponto de não conseguir falar por alguns minutos. Depois, mais calma, grava um vídeo dizendo que está com muitas saudades do PHE, que ama demais todos e não vê a hora de tudo isso acabar. Ao ver esses vídeos não podemos conter a emoção e as lágrimas caem junto com as dela, são essas reações que afirmam ainda mais tudo que falamos desde o início desse texto. Vários relatos dos pais foram surgindo após o recebimento das cartas, seguem alguns deles: “Genial a ideia das cartas, ela amou!” “Ela recebeu a carta e ficou muito feliz, você é muito especial prof.” “Ela recebeu sua cartinha ontem, foi uma explosão de carinho, muita sensibilidade prof, parabéns!” “Foi a primeira carta que ela recebeu pelo correio, ela amou!” “Não tem preço que pague a alegria do meu filho ao receber sua carta” “É incrível comouma simples cartamexeria tanto como emocional domeufilho,muitoobrigada por tamanha sensibilidade. Eleficou radiante ao recebê-la.” “A carta fez omaior sucesso, ele já correupara respondê-la.” “Cheguei emcasa e vi umaalegriadiferenteno rostodaminhafilha e ela toda entusiasmada [...] é possível pensar que existem diferentes formas de a linguagem se manifestar e que nem sempre isso ocorre por meio de palavras: é necessário compreender o seu pensamento.

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