educaSesc#4
EDUCA SESC 12 2020 me contou que a prof do Sesc veio trazer uma cartinha pra ela. Sempalavras por tanto carinho que tens comnossas crianças, isso tem feito muita falta no dia a dia dela.” “Pena eu não ter conseguido filmar a reação dele ao receber sua cartinha, o sorriso foi tão espontâneo e seus olhos brilharamde alegria.” Após algumas semanas, fomos recebendo os retornos. Lendo um, lendo outro, percebemos que a frase que mais coincidiu em quase todas as cartas foi a falta que sentem dos amigos e de sair de casa. Esses relatos fazem perceber o quão as crianças estão sofrendo nesses dias sem o contato e interação com os outros, por mais que tenham o conforto com seus familiares, faltam as relações sociais com os demais grupos. Em relação às perguntas que lançamos nas cartas sobre do que as crianças sentemmais falta, o que estão aprendendo esses dias em casa e o que esperam do mundo pós-pandemia, seguem alguns relatos que nos marcaram: “Estou aprendendo várias danças do NowUnited e do Tiktok. Aprendendo a aproveitar bastante a família porque antes só de noite a gente podia conversar e agora a gente temo dia inteiro. Mas o que eu sintomais falta é a rotina”. “Estou aprendendo que o perigo não faz se preocupar quando se tema família, eu sinto muita falta de você e dos meus amigos daí do SESC. Eu espero que depois dessa pandemia tudo sejamelhor do que já era e que todomundo possa sair e passear paramuitos lugares e conhecer mais coisas”. “Oi prof, estou commuitas saudades suas, dos amigos e de tudo que fazíamos no projeto, não vejo a hora de poder voltar. Tenho feitomuitas coisas em casa, mas não é amesma coisa que estar comvocês.” “Queria poder voltar para o SESC e para a escola, sintomuita falta.” “Espero que as pessoas se preocupemmais com os outros, sejammais amorosas .” “Quero ummundo commais igualdade para todos, commenos desperdícios, mais amor e menos violência.” “Que todos aprendemos a ser mais gentis.” “Quando tudo isso passar quero visitar todos os que gosto, abraçar e brincar.” “Sinto falta da escola, dos meus colegas, dos SESC, das brincadeiras que fazíamos, dos passeios e das descobertas.” “Tenho feito brincadeiras que antes não costumava fazer em casa como jogar bolita, brincar com os animais, cuidar da calopsita e treinar a Molly a brincar de bola.” “Espero ummundo commais igualdade para todos, commenos desperdícios, mais amor e menos violência.” “Tenho aprendido muitas coisas como fazer o meu café, separar o lixo orgânico e o lixo seco, cantar músicas (funk).” “Eu gosto de sair, de ser livre, de brincar com os outros, não dentro de casa trancado é chato.” “Quero que depois disso tudo tenha mais felicidade, amor, carinho e compaixão.” A sociedade como um todo precisará ter um olhar mais afetivo, tolerante, paciente e respeitoso quando tudo isso passar e nós como educadores precisaremos mais do que nunca estar preparados para o retorno dessas crianças, ficando mais atentos a cada gesto e a cada palavra dita que não é falada, dar o tempo que elas precisam para sentirem-se ativas, interativas e principalmente ouvidas e sentidas. Adriana Friedmann em uma entrevista concedida ao Território do Brincar, em 2018, expressa perfeitamente como se deve dar a escuta e observação das crianças: “Trata-se de olhar cada criança em sua inteireza e estar aberto para acolher o que elas expressam naturalmente. Precisamos aprender com elas.” De fato, na atualidade e em um futuro próximo precisaremos ainda mais da sensibilidade para essa escuta efetiva e acolhedora, despida de qualquer (pré) conceito que um dia já tivemos. Será um novo começo para todos nós e, com certeza, aprenderemos muito com o que cada criança irá trazer das suas vivências e aprendizagens desse período de social. De Paula (2010) afirma que toda criança para aprender precisa ser feliz e sentir o prazer em aprender. Ele diz que os educadores têm o dever de transmitir essa felicidade a eles para contagiá- los. Se essa criança não tem felicidade em casa é a escola que deve mostrar a ela que esse sentimento existe para quem acredita. Se ela não tem carinho, porque não mostrarmos a criança o quanto é bom um afeto? Devemos ampliar nossos olhares para não enxergar essa criança como um objeto em que se deposita conteúdo, mas sim como um ser pensante que tem suas próprias ideias, sugestões e motivações. Estamos passando por momentos difíceis, mas quando acreditamos no verdadeiro potencial das crianças e dos compartilhamentos que elas nos trarão pós-pandemia certamente aprenderemos muito com elas e elas por sua vez aprenderão com os demais, será uma aprendizagem rica e efetiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE PAULA, Sandra Regina; FARIA, M. A. Afetividade na aprendizagem. Revista Eletrônica Saberes da Educação, v. 1, n. 1-2010, 2010. Disponível em: http://docs.uninove.br/arte/fac/publicacoes/pdfs/ sandra.pdf FRIEDMANN, Adriana. Escutar crianças vai muito além de ouvir suas falas verbais. https:// territoriodobrincar.com.br/nossas-reportagens/ escutar-criancas-vai-muito-alem-de-ouvir-suas- falas-verbais/ OUTHWAITE,William. (Ed), BOOTOMORE, Tom (Comp.). Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996. SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro, Editora Agir, 2009. Aquarelas do autor. 48ª edição / 49ª reimpressão. Tradução por DomMarcos Barbosa. 93 páginas. VIGOTSKY, L. S. . Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes (194 páginas) ( 1ªed. 1987). VIGOTSKY, L. S.; COLE, M. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. VIGOTSKY, L. S. Psicologia pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2001. GESSICA ANTONIAZZI é Instrutora Pedagogica Projeto Habilidades de Estudo, Sesc Novo Hamburgo/RS. Graduada em Educação Fisica. NIVALDA DA COSTA é Instrutora Pedagogica Projeto Habilidades de Estudo, Sesc Montenegro/RS. Graduada em Educação Fisica e Pedagogia.
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