educaSesc#4

13 EDUCA SESC 2020 RESUMO O presente artigo busca compartilhar as pesquisas de campo realizadas no Sesquinho – Unidade de Santo Ângelo/RS, pelas acadêmicas do curso de Pedagogia da Universidade Federal da Fronteira Sul campus Erechim/RS, que acontecem anualmente desde o ano de 2017. Essa ação visa romper com o discurso“na teoria é uma coisa, na prática é outra”e perceber nas práticas desenvolvidas pela escola do Sesquinho, um fazer pedagógico que acolhe, reconhece e acredita nas potencialidades das crianças. Para enriquecer as reflexões foram utilizadas contribuições de acadêmicas que participaram das visitas na escola, por meio de narrativas (depoimentos) que pontuam a importância dessa prática para a formação inicial. As narrativas foram respondidas e autorizadas por meio de umTermo de Livre Consentimento e Esclarecido em formulário eletrônico. Para fundamentar esse diálogo foi utilizado o Parecer CNE/ CEB n.20/2009 que revisa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009) e alguns autores, como: Staccioli (2013); Vieira e Gozzi (2010); e Rosset, Rizzi eWebster (2018). As reflexões descritas nesse artigo mostram algumas marcas deixadas nas relações estabelecidas entre Universidade e Educação Básica, principalmente com relação a aproximação entre teoria e prática na Pedagogia; formação inicial e continuada; e formação pedagógica. EIXO-TEMÁTICO: Pedagogia infantil. PALAVRAS-CHAVES: Educação Infantil. Acolhimento. Formação Inicial. POR QUE VISITAR O SESQUINHO? Desenvolver formação inicial de professores (as) para atuar na Educação Infantil, que articule com propriedade teoria e prática, tem sido um desafio para os cursos de Licenciatura em Pedagogia, principalmente no intuito de quebrar um discurso MARCAS DAS RELAÇÕES ENTRE TEORIA E PRÁTICA: EXPERIÊNCIAS VIVIDAS PELA PEDAGOGIA NO SESQUINHO SANTO ÂNGELO/RS POR FLÁVIA BURDZINSKI DE SOUZA E ROBERTA SCHMITH social muito presente no campo educativo:“na teoria é uma coisa, na prática é outra”. Um dos caminhos que podem colaborar nesse processo é realizar ações de aproximação entre o Ensino Superior e a Educação Básica, estreitando diálogos e apresentando aos futuros profissionais caminhos possíveis. Assim, ao estudar sobre Pedagogia da Infância, acolhimento (STACCIOLI, 2013) e normativas educativas, principalmente a Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil - Parecer CNE/CEB n.20/2009 (BRASIL, 2009), surgiu a ideia de realizar uma pesquisa de campo em uma escola que dialogasse com essas premissas teóricas discutidas na graduação e que pudesse servir de inspiração para o trabalho pedagógico na Educação Infantil. Desse modo, o Sesquinho – Unidade Santo Ângelo/RS, está sendo nossa escola parceira há três anos, já que essa atividade virou parte da trajetória formativa do curso de Pedagogia da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Erechim/RS, desde o ano de 2017, a qual já contou com a participação de aproximadamente 135 acadêmicas/os. Assim, esse texto tem o intuito de relatar as pesquisas de campo e as ações de extensão realizadas na escola, trazendo narrativas (depoimentos) de três alunas e de uma professora, que foram produzidas por meio de um formulário eletrônico e autorizadas pela via de umTermo de Livre Consentimento e Esclarecido. O termo solicitou o uso de seus nomes e depoimentos e/ou imagens, contribuindo para enriquecer e exemplificar as marcas deixadas nesse movimento da pesquisa e extensão. ACOLHER COMO MÉTODO DE TRABALHO: PREMISSA PARA CRIANÇAS E ADULTOS A Educação Infantil, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), é conceituada como primeira etapa da Educação Básica, tendo por objetivo o desenvolvimento integral das crianças, sendo ela oferecida em estabelecimentos educacionais, institucionais, que educam e cuidam de crianças entre 0 a 5 anos, organizados em creche e pré- escola. Vale ressaltar que os eixos norteadores que orientam as práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular são as interações e a brincadeira, garantindo experiências nas quais as crianças possam se apropriar do conhecimento construído pela humanidade (BRASIL, 2009). Dar legitimidade aos espaços educativos da primeira infância, como lugar de cuidado e educação, que objetiva o desenvolvimento integral, implica muito nas escolhas teóricas que são feitas na graduação de Pedagogia. Que autores são apresentados? Que obras são lidas? Que políticas educacionais fazem parte dos estudos iniciais? Como compreender o campo da Pedagogia da Infância? Como relacionar essas escolhas teóricas com aquilo que se vive no cotidiano da primeira etapa da Educação Básica? Que escolhas têm sido feitas? Essas e outras questões precisam acompanhar os professores que planejam e fazem os currículos de cursos de graduação em Pedagogia, para que se possa articular cada vez mais teoria e prática na ação docente. Escolhas por uma Pedagogia da Infância que tenha o acolhimento como método de trabalho com a criança significa: [...] muito mais que deixá-la entrar no ambiente físico da escola, designar-lhe uma turma e encontrar um lugar para ela ficar. O acolhimento não diz respeito apenas aos primeiros momentos da manhã ou aos primeiros dias do ano escolar. O acolhimento é ummétodo de trabalho complexo, ummodo de ser do adulto, uma ideia chave no processo educativo (STACCIOLLI, 2013, p. 25).

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