educaSesc#4

EDUCA SESC 30 2020 com os dias contados. A desterritorialização da aprendizagem, mais cedo ou mais tarde, terminaria acontecendo. Trata-se de uma transformação mais sentida pelos docentes, os imigrantes digitais, do que em tese para os alunos, a geração de “nativos digitais”, já que eles têm outras formas de aprender, distintas das tradicionais formas de ensino. As TIC possibilitam diversas experiências de ensino e de aprendizagem que podem ser concretizadas inclusive com inúmeras vantagens em relação a um passado não muito distante. O ensino ganhar novos contornos com vivências distintas que considerem o contexto que tem a informação e o conhecimento em épocas de virtualidade e desterritorialização. No contexto do ensino e da aprendizagem, o seguinte problema vem sendo uma preocupação nos círculos educacionais: há tempos se vem abordando e desenvolvendo novas práticas de ensino e a mais contundente substitui a presencialidade pela EaD. Neste momento, entretanto, a tradição presencial, em decorrência do COVID-19, transforma-se em ensino online diante da necessidade de busca alternativas para dar continuidade ao ensino. Em decorrência de todos esses aspectos e acontecimentos se coloca como problema de pesquisa o seguinte: é possível construir uma alternativa distinta do EaD para o ensino presencial? O objetivo deste artigo é propor a reflexão sobre as mudanças nas atividades de ensino e sua distinção do EaD. Assim, o desenvolvimento da abordagem aponta como ocorreu a necessidade de tomada de decisão sem postergações em decorrência da pandemia do COVID-19, a qual fez com que ocorresse uma imediata modificação da exigência da presencialidade em um mesmo espaço territorial, de forma que a aula evoluiu imediatamente para uma modalidade conectada. Nesse contexto, se mostra a utilização da tecnologia de forma síncrona e online. Neste ponto também se faz uma diferenciação entre aula conectada online e da educação a distância. O estudo sugere que o debate apenas inicia e que é necessária a compreensão da complexidade, não somente humana, mas na qual o ser humano está inserido, para que se possa pensar em reforma do pensamento e da educação. COVID-19 E SEUS IMPACTOS PARA UMA NOVA REALIDADE: A AULA CONECTADA ON-LINE A universidade e a escola fecharam as portas na sexta-feira, para voltar como um ensino online na semana seguinte. Há muito se falava em utilização das tecnologias da comunicação e da informação (TIC) como instrumentos de ensino e aprendizagem. Muitos defendem a educação totalmente a distância, mas outros sempre olhavam e alimentavam certa desconfiança, pois entendem a aprendizagem como uma fábrica, com repetição e memorização daquilo que será, possivelmente, cobrado em uma avaliação posterior. Mas a utilização das TIC não é algo novo, Pierre Lévy (1993) previa que ocasionariam mudanças no cenário educacional diante de novas possibilidades geradas pelo mundo virtual. A mudança do presencial para o virtual se dá através de aulas online. As tecnologias, neste viés da interrupção pela pandemia, possibilitaram a continuidade do projeto de educação atendendo a todas as normas de saúde, em um momento de excepcionalidade. A utilização das TIC na educação acontece, modifica e qualifica o ensino. Ocorrem mudanças no paradigma da presencialidade, a mudança rompe com a mera transferência e reprodução de informações, para uma aprendizagem fundada na competência de análise e construção do conhecimento. Como Pierre Lévy (2011, p. 12) apontava no final do século passado, a virtualização consiste num“processo de transformação de um modo de ser num outro”. É isso que ocorre em tempos de COVID-19 no campo da educação: mudanças profundas e a criação de novas formas de aprendizagem conectada com aulas on-line. As TIC aproximam as distâncias, possibilitam a convivência virtual e relativizam o tempo, seja por possibilitar o debate síncrono ou a informação assíncrona. Não há supressão da convivência com o outro, apenas o distanciamento do contato. O agir comunicativo (Habermas, 2012), necessário no mundo da vida, acontece mesmo na virtualidade possibilitando a continuidade do espaço de diálogo entre os envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem. É o que está ocorrendo agora. A situação decorrente da pandemia do COVID-19 faz com que a humanidade reinvente a educação. No contexto da “teia da vida”(Capra, 2006) se compreende que a educação não é fábrica, algo que já se dizia há muito tempo. Desde a revolução industrial se pensa que a educação pode seguir o modelo fabril, mas agora, mais uma vez, parece se comprovar que a lógica não é a mesma. A fábrica, na crise, desliga seus empregados. As entidades escolares, mantém seus colaboradores e mudam o foco do ensino. De um ensino presencial passam a um ensino online. E continuam a sua tarefa de formar as pessoas. Pelo menos é o que ocorre com as entidades comunitárias de educação, já que as estatais normalmente se limitam a paralisar as atividades e antecipar os recessos escolares. Este [...] é possível construir uma alternativa distinta do EaD para o ensino presencial? É isso que ocorre em tempos de COVID-19 no campo da educação: mudanças profundas e a criação de novas formas de aprendizagem conectada com aulas on-line.

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