educaSesc#4
31 EDUCA SESC 2020 aspecto demonstra que embora a Constituição da República expresse que o Estado deve seguir o princípio da eficiência, o Estado é muito ineficiente em algumas áreas. As entidades não estatais conseguem se reinventar em poucos dias e seguir na sua tarefa de ensinar. A COVID-19 acordou a humanidade para a necessidade de se reinventar. Não é pouca coisa, mas a agilidade com que o ensino se adaptou às novas tecnologias demonstra que é possível otimizar muitas coisas. Pode-se, até mesmo, fazer com que se alterem paradigmas, já que quem souber administrar a situação precária pela qual a humanidade vive, certamente terá ganhos em escala para movimentar-se após a crise. Nesse contexto é possível imaginar que a educação, como qualquer atividade humana, pode sofrer mutações, até mesmo como uma necessidade da evolução humana. Essa parece ser uma condição natural da humanidade, já que no seu desenvolvimento evolutivo cria tecnologias as mais diversas, e essas possibilitam, como demonstrado, novas formas de aprendizagem. A análise histórica mostra que durante os séculos inúmeras transformações vêm ocorrendo. A educação que inicialmente é compreendida como uma espécie de encargo da tradição oral, passa à escrita, e chega ao virtual. Chega-se, assim, à ideia de uma aprendizagem pautada em outras premissas, na de um“nativo digital”(Prensky, 2001) que não aprende da mesma forma que as gerações passadas. De modo transversal chega-se à compreensão de que se vive o produto da técnica e da racionalidade humana. O homem cria a tecnologia que possibilita a inteligência artificial e possibilita novas experiências de aprendizagem, não em sua utilização como uma forma de ensino para o ganho em escala, mas como a possibilidade de um novo paradigma de ensino, na esteira das compreensões postas por Pierre Lévy desde o século passado. A tecnologia como suporte educacional que contribua com um novo modelo de desenvolvimento humano. Como menciona Assmann (2000, p. 10) “[...] sérias implicações antropológicas e epistemológicas” decorrem dessa parceria ativa do ser humano com máquinas inteligentes. A dimensão humana se modifica e, com ela, modifica-se a percepção de mundo. A mais importante modificação parece ser a relativização da distância, já que o valor está na compreensão, no entendimento e na aprendizagem. É necessário entender, entretanto, que neste momento, é necessária uma adaptação, já que mesmo os nativos digitais não estão familiarizados com esta aprendizagem mediada pelo virtual. Após essa experiência pandêmica, todavia, o ensino não será o mesmo e, aparentemente, proporcionará ganhos e o avanço na utilização desta modalidade, não totalmente virtual, mas sob formas diversas, como é o caso do ensino hibrido e do semipresencial. Reafirma-se que não se está a defender a EaD mediante uso da tecnologia pura e simplesmente, mas se entende que o ensino no qual as TIC sejam o suporte constitui-se um avanço. Dessa forma, as TIC possibilitam a universalização da produção do conhecimento. Há um ganho na possibilidade no debate de ideias, de forma conectada, ou online, inclusive para a produção colaborativa. Desenvolve- se, assim, novas competências e se prepara o sujeito para novos desafios da sociedade contemporânea. Nesse aspecto, surge a possibilidade de produção de novos conhecimentos e qualificação das condições de aprendizagem. Bem planejadas e conduzidas as atividades, pode ocorrer um grande ganho na aprendizagem, embora não se dispense o contato pessoal com o outro no ambiente de aprendizagem e a mediação pedagógica. O uso das TIC possibilita o desenvolvimento da capacidade crítico-reflexiva do sujeito no mundo da vida. Se na educação tradicional há uma preocupação em“encher a cabeça”do aluno para depois avaliá-lo acerca de conteúdos memorizados, as tecnologias passam a instigar a curiosidade para estimular o pleno emprego da inteligência. As TIC apresentam uma perspectiva facilitadora instrumental para a busca de informações e construção do conhecimento que se destoa de uma lógica linear cartesiana. As TIC possibilitam a superação do modelo linear de construção do conhecimento para uma nova dinâmica de aprendizagem que perpassa a simples acoplação de tecnologias ao ensino. Embora as novas gerações de alunos sejam consideradas de “nativos digitais”, não basta a disponibilização de tecnologias para gerar qualidade de ensino, mas como se está vendo agora, pela utilização criativa das tecnologias se pode modificar ou ultrapassar paradigmas e impactar na produção de conhecimento e na aprendizagem humana. Neste período foram realizadas diversas conferências eletrônicas, previstas como um grande avanço possível pelo uso de TIC, em 1999, por Pierre Lévy (2010, p. 102), como “[...] um dispositivo que permite que grupos de pessoas discutam em conjunto sobre temas específicos”. Um espaço de comunicação efêmera onde são inventados novos tipos de comunicação e de escrita e de interação. É o ciberespaço, onde pode-se “[...] contatar pessoas não mais em função do seu nome ou de sua posição geográfica, mas a partir de seus centros de interesse”, o qual possibilita constituir a memória de grupo ou dos debates realizados, servindo para o avanço da aprendizagem. A incorporação das TIC na vida humana, portanto, ao mesmo tempo que é necessária, produz mudanças no ensino e na aprendizagem. A incorporação das TIC à educação pode fortalecer e auxiliar a formação humana para um novo modelo de vida em sociedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os aspectos abordados neste artigo mostram a relação entre o ensino e as TIC, considera alguns dos impactos que sua utilização pode causar na vida humana e como a virtualidade do ensino e da aprendizagem podem ser por elas mediados. As relações entre as TIC e a educação constituem-se um paradoxo que gera grande incerteza, pois não se sabe exatamente qual a melhor opção. É necessário experimentar a mediação pelas TIC, como está ocorrendo agora, e posteriormente O uso das TIC possibilita o desenvolvimento da capacidade crítico-reflexiva do sujeito no mundo da vida.
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