educaSesc#4

EDUCA SESC 32 2020 avaliar os resultados. Ainda continuará sendo controversa a utilização das TIC como instrumento de ensino, mas, gradativamente, sua utilidade será compreendida e aceita a sua utilização, não como um fim em si mesma, mas como um sistema universal com informações e geração de conhecimento, e também como uma mediadora factual. Um sistema universal porque possibilitará o desenvolvimento solidário do conhecimento e do ensino, já que encurtará distâncias e diminuirá os próprios custos de sua realização. Por outro lado, possibilitará a disseminação do conhecimento, numa dimensão parecida com a pandemia do COVID-19, mas sem esse contorno nocivo do seu impacto. Será o resultado positivo da crise. Também ocasionará isso que foi denominado mediadora factual, ou seja, a possibilidade de convivência fática mesmo na distância, como a telepresença online. É um desafio lançado, à semelhança do processo de mutação do coronavírus em COVID-19. A compreensão de que a dependência humana a longos planejamentos e com o receio da transformação, mesmo diante da mutação de um pequeno ser invisível que se multiplica e se transforma em pandemia, deve ser relativizada em alguns casos e concretizada. A educação requer essa capacidade pela compreensão do real e do virtual, na qual se coloca essa que foi chamada de mediadora factual. Neste momento da pandemia do COVID-19, portanto, as decisões tiveram que ser rápidas. O tempo escasso e a indecisão poderiam gerar o caos. No contexto do ensino presencial, em razão disso, foi possível tomar decisões rápidas que têm sido eficazes até o momento. E tal decisões estão gerando mudanças mais profundas na educação, as quais vão impactar no futuro, já que o novo modelo que se está inaugurando em instituições inovadoras, vai demonstrar que as TIC podem agregar qualidade ao ensino. Não se trata, neste viés, de substituir o presencial pelo EaD, mas fazer um ensino que agregue as TIC, que torne possível a simetria da construção do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades. Se constata que a crise, neste caso, terminou provocando um rompimento com o tradicional apenas para confirmar aquilo que alguns teóricos citados no texto já previam no século passado. O rompimento com a tradição presencial produz o ensino conectado, online, onde se encurtam distâncias e se facilita a vida das pessoas, aspecto que pode não ficar restrito ao tempo do isolamento social, mas constituir uma evolução humana no campo da formação de competências e aprendizagem. A realidade fática do COVID-19, neste momento, mostra que as TIC impactam no modo de ser e de se fazer humano, positivamente. O desenvolvimento tecnológico utilizado na área da educação pode proporcionar um grande impacto positivo até mesmo pela alteração dos hábitos humanos, mas não como uma substituição da sala de aula e do professor. O que se vê é a integração das TIC à educação, como uma possibilidade de agregar qualidade. Não se trata, portanto, de transferência de metodologias presenciais inadequadas às TIC. As TIC são utilizadas num sistema de interação humano-tecnológica, na qual a tecnologia é apenas uma extensão do humano para o aprimoramento do ensino e da aprendizagem. Para além disso, essa utilização transforma a tecnologia em suporte de interação, de uma biblioteca universal, na aproximação com grandes expoentes, além de possibilitar a concretização de metodologias que ultrapassem a esfera da aula expositiva tão somente. Não se abandonam as aulas expositivas, mas se abrem espaços para que todos possam ser expoentes, embora exista uma grande resistência até mesmo em aproveitar estas oportunidades. Esses aspectos necessitam ser analisados para que se possa efetivamente utilizar as TIC para o desenvolvimento da capacidade reflexiva de todas as pessoas que tiverem interesse em desenvolvê-la, de modo que a educação não sofra prejuízos em seu importante papel no processo evolutivo da humanidade, e como possibilidade de formação integral para o mundo da vida. A universidade, no contexto abordado, ultrapassa a ideia dematerialidade e de territorialidade. Seu papel como dimensão impulsionadora da aprendizagem precisa considerar a natureza humana no contexto maior da complexidade. A educação superior pode considerar asTIC e utilizá-la de diversas formas, encurtando distâncias, armazenando informações, ou otimizando o ensino e a aprendizagem, mas nunca substituindo o professor. No campo das políticas públicas de educação parece que se aponta umnovo significado para o desenvolvimento tecnológico: servir ao desenvolvimento humano através da virtualização da presença numa aprendizagemmediada pelasTIC, uma aula on-line conectada, síncrona e distinta da EaD. REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS ASSMANN, Hugo. A metamorfose do aprender na sociedade da informação. Ciência da Informação, [S.l.], v. 29, n. 2, nov. 2000. ISSN 1518-8353. CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Trad. Newton Roberval Eicjemberg. 1. ed. 13. reimpressão. São Paulo: Cultrix, 2006. HABERMAS, Jürgen. Teoria do agir comunicativo, 1: racionalidade da ação e racionalização social. 1. ed. Trad. Paulo Astor Soethe. Rev. Flávio Beno Siebeneichler. São Paulo :WMF Martins Fontes, 2012. LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. trad. Carlos Irineu da Costa. 2. ed. 1. reimpressão. São Paulo : Editora 34, 1993. LÉVY, Pierre. Cibercultura. trad. Carlos Irineu da Costa. 3. ed. 2. reimpressão. São Paulo : Editora 34, 2010. LÉVY, Pierre. O que é o virtual? trad. Paulo Neves. 2. ed. 1. reimpressão. São Paulo : Editora 34, 2011. PRENSKY, Marc. Digital Natives, Digital Immigrants. 2001. Disponível em: http://marcprensky.com/ digital-native/. Acesso em: 09 set. 2013. ALDEMIR BERWIG é Doutor e Mestre em Educação nas Ciências pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ. Possui graduação em Direito e Administração, ambas pela UNIJUÍ, especialização em Direito Tributário pela Universidade do Sul do Estado de Santa Catarina - UNISUL. Atualmente é professor adjunto e Coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ. Não se abandonam as aulas expositivas, mas se abrem espaços para que todos possam ser expoentes[...]

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=