0109 criado uma boa amizade com nosso anfitrião, assim como com seus familiares – também feito vínculo com o pessoal da escola, que estava bastante contente com nossa estadia. O egípcio Mina foi pouco citado porque, apesar de sua euforia ini- cial, agora andava bastante quieto. Algumas vezes interagia com a gente, mas andava mais introvertido. Não sei bem se ele tinha algum tipo de variação rápida de humor ou estava lidando com questões emocionais internas. O fato é que tentávamos conversar ou chamá-lo para participar das atividades, mas ele preferia ficar mais resguardado. Nesse dia, fomos revelar as fotos que o Alberto tinha feito dos(as) alunos(as) de costas. A ideia foi homenagear o cartunista palesti- no Naji Al-Ali, comentado anteriormente, por ter sido assassinado e por ter criado a personagem Handala (sempre representada de costa). Todas as crianças olhando para o horizonte representavam um olhar de esperança em voltar para sua terra natal: a Palestina. Depois de impressas as imagens, o destino foi colar como lambe, em alguns pontos da comunidade. Logo cedo já começamos diversas ações, levados pelo nosso mo- torista irritado, que outrora fumava cinco cigarros por minuto, porém, agora andava mais bem humorado. Fomos a uma gráfica, onde foi revelada cada foto das crianças em tamanho real, aproxi- madamente ummetro e meio de altura. A imagem foi dividida em diversas folhas de ofício numeradas. Na hora de colar na parede, iam se juntando como um quebra-cabeças. Era feita uma grade quadriculada em cima da foto, onde cada quadrado correspondia a um número na coluna horizontal e uma letra na coluna vertical. Consequentemente, o número “1” com a letra “A” seria colocado na parte superior esquerda e assim por diante. Segundo Alberto, essa dinâmica eramuito prática para colagens de lambes em gran- de formato. Caso fosse fazer uma única impressão grande, teria dificuldade tanto para achar máquinas próprias para isso, quan- to teria problemas na hora de colar, criando bolhas de ar ou dei-

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