110 xando muitos amassados nas folhas. Finalizadas as reproduções, saímos da gráfica e fomos almoçar para, na sequência, começar a intervenção artística do Alberto. Fomos a umas ruazinhas que pareciam do século passado, com lar- gura para uma só pessoa. Algumas motos, às vezes, cruzavam por nós na contramão, fazendo nos espremer para deixá-las passar. A comunidade em sua maioria era bastante pobre nessa parte do campo, mas quase todos tinham um pequeno celular. Um costume curioso das mulheres, tanto aqui quanto nas outras cidades árabes, é que colocavam o celular preso entre a orelha e o capuz da burca. Normalmente, esses capuzes são bemcolados ao formato da cabeça e se for colocado qualquer objeto no meio, ele fica preso. Portanto, as muçulmanas criaram essa maneira de deixar o aparelho gruda- do ao ouvido, sem precisar usar fones ou as mãos para segurar, ca- minhando assimpelas ruas conversando emchamadas telefônicas. Após buscar bastante, encontramos umas paredes. Segundo o Al- berto, eramperfeitas para fazer a colagem. Explicamos a proposta aos residentes das casas para saber se havia a possibilidade de fa- zer essa intervenção artística. Foi concedido o espaço. Alberto fez a colagem, em seguida os registros fotográficos. Não tardou muito para ser finalizada a arte, nos dando tempo para ter o resto da tarde passeando pela região. Estávamos acom- panhados do nossomotorista palestino e seu primo simpático, que foram nossos guias turísticos, nos dando algumas informações so- bre o local. Foi por essas paragens da viagem que descobri sobre o conflito ocorrido em 2007, sendo provavelmente o motivo das marcas de tiros no muro onde pintei. O primo do motorista nos comentou so- bre o ocorrido sem entrar emmuitos detalhes, porém, depois bus- quei me informar um pouco mais. A situação aconteceu quando o exército libanês perseguiu um grupo de militantes do Fatah Al-Is- lam. Esse grupo foi acusado de um assalto a banco e estaria escon-

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