131 mim, sempre esteve com as portas abertas para a compreensão e para os novos caminhos; gostaria de ser como você, mas ainda tenho minhas dificuldades. O tempo colocaria a mão no meu om- bro e falaria: apesar de ter a letra “o” antes de meu nome não sou homem ou mulher, isso também é uma invenção da sociedade. O tempo é o tempo, não sou eu; a solidão é a solidão, não é você; a vida é o milagre e não o porquê; o medo é o acontecimento de algo que jamais vai nascer; e tudo aquilo que não foi é porque não era para ser. Agora ficaria novamente alguns segundos absorvendo as informações. O tempo desviaria o olhar, prenderia um pouco de atenção ao sol caindo no horizonte em um momento de silêncio. Depois o tempo voltaria a me olhar, agora finalizando: apesar das pessoas me tratarem com receio, saiba que jamais vou ser seu ini- migo; sempre que acharam que tudo estava perdido o mundo deu mais uma volta, com tudo se renovando constantemente. Toda vez que se sentir angustiado jamais esqueça que o futuro é sempre uma grande emoção esperando você. Mumbai Estava um pouco abatido com tudo que tinha passado, mas era impossível perder a oportunidade de conhecer a exuberante Ín- dia. Tinha planejado ficar dois meses em Mumbai, porém, acabei adiandominha volta para dois dias antes do ano novo, para conse- guir colocar minha vida de volta aos eixos. Estava bastante instá- vel emocionalmente, precisando de uma pausa para refletir sobre essa enxurrada de estimulos atípicos. Aterrissei nem Mumbai dia 8 de dezembro pela manhã. A minha chegada na cidade ainda era muito nebulosa, tinha falado com meu amigo indiano Omkar, só que ele não tinha me dado nenhu- ma informação precisa de onde eu ficaria ou quais atividades de- senvolveria. Assim sendo, uma semana antes de chegar mandei

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