137 Vaca Sagrada No segundo dia de pintura despertamos bem cedo novamente para irmos direto aomuro. Essemomento foi mais agitado. Conhe- cemos Mooz, Lobster e o Enemy, que na tarde anterior não pude- ram comparecer. Lembro, também, de uma situação quando está- vamos bem tranquilos conversando em frente ao muro e passou um macaco gigante, quase do tamanho de uma pessoa, pulando na parte de cima de onde nos encontrávamos. Levamos um sus- to, porque ele realmente era enorme, cruzando muito próximo da gente e nos pegando desprevenido. Entretanto, o melhor foi uma vaca doida fazendo um show de loucuras entre os estudantes universitários. Eu e o Rikardo qua- se morremos rindo daquela circunstância inusitada. Como alguns leitores(as) não devem saber, é importante esclarecer que a vaca é um animal sagrado na Índia. Os Vedas, coletânea de textos religio- sos de cerca de 1500 a.C, comentam sobre a fertilidade do animal, assim associando a várias divindades. No sistema de castas em vi- gor na sociedade indiana, a vaca é considerada mais pura até do que os brâmanes (indivíduos pertencentes à casta mais elevada). Por isso, ela não pode ser morta nem ferida, tendo passe livre para circular pelas ruas sem ser incomodada. O leite do animal, sua uri- na e mesmo suas fezes são utilizados em rituais de purificação. Agora retornando à história. Essa vaca, não sei bem ao certo, es- tava de mau humor ou era revoltada, mas sei que ela fez uma re- viravolta entre quem estava presente no momento, ganhando a atenção de todos os holofotes enquanto realizava a performance épica. Tudo ficou em segundo plano diante daquele tão forte espe- táculo bovino. Não esquecendo que estávamos pintando para o festival de tec- nologia realizado dentro da Universidade de Mumbai. Não esque-
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