138 cendo, também, da super população indiana. Fico imaginando como devem ter sido as campanhas de isolamento social pela co- vid. Era uma massa humana para todos os lados. Lembro de muita gente amontoada para ver alguma apresentação, quando a vaca começou realizando seu primeiro ato: passou correndo no meio daquele mundaréu de pessoas. Foi todo mundo se apertando para os cantos, para não tomar um encontrão daquele animal robusto e com chifres afiados. Uns caíram, alguns se assustaram ou acha- ram graça, outros ficaram brabos. No entanto, ninguém podia ba- ter ou espantar a vaca atrevida. Ela ficou um tempo parada, apenas observando. Depois, no segun- do ato, ela veio de novo correndo, agora fazendo um “strike” em uns cavaletes utilizados para separar as filas de compra de ingres- sos. Um cavalete ficou grudado em uma de suas guampas, para deixar o showmais intenso. Com um objeto pendurado no chifre, ela ficou mais agitada ainda, dando umas cabeçadas e uns trotes em todas as direções. Ninguém tinha coragem de chegar perto do animal. Vieram uns seguranças para tentar ajudar. O Rikardo tinha um ótimo senso de espírito, não podendo perder a chance de largar um comentário engraça- do. Ele dizia: “Esta vaca rompe huevos es bastante aburrida, peor que los viejos argentinos”. Ele havia morado uns anos em Buenos Aires, assim sempre brincava que os argentinos mais velhos esta- vam sempre reclamando. Após várias tentativas, conseguiram retirar o cavalete, entretanto, a agitação seguia. Alguns indianos se arriscaram até fazer uns ba- rulhos com a boca e uns movimentos com os braços, na intenção de enxotar. Rikardo seguia comentando: “Esta vaca es un fenóme- no nacional, esta haciendo los indianos espantarla. Es una obra maestra o que esta pasando en este lindomomento”. Apesar de ser trágico, para nós como estrangeiros, era uma situação engraçadís- sima o estrago que aquela vaca estava fazendo. Se fosse no Brasil ou no Chile já teriam dado um jeito de dar umas varadas naque-

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