140 Quando tinha carne era sempre bem sinalizadas nos cardápios. Comíamos em um bar dentro da Universidade, que tinha parceria com o pessoal da organização. Como estávamos participando da pintura não precisava pagar. Apesar de não ter dificuldade com comidas carnívoras, tive pro- blemas com a pimenta. Tudo era extremamente apimentado, até líquidos, como sucos ou iogurtes. Lembro do dia em que o Rikardo pediu um iogurte cheio de pimenta. A sua indignação foi grande e ele disse: “Los putos indianos ruempe huevos, hasta la leche hay que ser picante”. Mas a forma como ele falava era sempre com humor, fazendo a gente cair na gargalhada depois desses tipos de acontecimentos. O motivo de sempre comermos o Cheese Pharata era porque essa opção era a menos picante. Não adiantava pedir sem pimenta, pelo motivo de os condimentos já virem preparados; eles só mon- tavam rapidamente o lanche na hora. Já havíamos tentado pedir outros pratos, mas não conseguimos nem comer de tão fortes. Outra coisa divertida era um costume muito peculiar dos india- nos. Com certeza, esse costume é um patrimônio nacional do país. Pode ser criança, jovem, idoso, pobre, rico, alternativo, conserva- dor, mulher, homem, roqueiro, regueiro, religioso, ateu, seja lá o que for. Todos os indianos que conheci, com pouquíssimas ex- ceções, faziam o mesmo gesto. É uma balançada, meio em forma de círculo, com a cabeça. Fazem esse movimento constantemente durante uma conversa, nos mais variados contextos. Não tem um significado específico, é mais um cacoete, um vício de linguagem corporal. Porém, isso era complicado para nós, porque quando fa- zíamos uma pergunta que a resposta deveria ser “sim” ou “não”, a resposta sempre vinha nesse formato de movimento de cabeça. Temos a tradição de balançar para cima e para baixo para dizer “sim” ou para os lados direito e esquerdo para dizer “não”. Esse movimento era uma mescla de afirmação e negação, fazendo com que nunca soubéssemos com precisão as respostas correta. Um

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