145 mo. Para mim foi também uma espécie de catarse, uma válvula de escape para os milhares de conflitos internos que estavam se afunilando cada vez mais, à medida que ia se aproximando o re- torno a minha cidade. Naquele momento esqueci completamente todos os problemas que viria a enfrentar quando retornasse. Foi ummomento agradável, depois de passar por tantos perrengues e emoções intensas. No final, acho provável ter sido algum jovem bêbado soltando uma bomba ali perto. Foi um estouro extremamente forte, deve ter acordado e assustado bastante gente, mas no outro dia não soubemos de nenhuma notícia triste ou conflito. Último Dia de Pintura Acordamos um pouco cansados da noite mal dormida, porém es- távamos com bastante disposição. Em viagens é muito comum es- tar naquela excitação por causa de muitos estímulos e acabar não descansando direito. Dorme tarde e já acorda cedo, com vontade de desfrutar ao máximo a experiência. Eu tendo a oportunidade de estar nesses lugares incríveis, vinha nesse ritmo de não dormir direito por meses. Estava vivendo uma explosão de vitalidade, de grandes prazeres, apesar de alguns dissabores. A conta só iria ser paga na minha volta. Ia ser paga com vários dias de ressaca e me- lancolia. Sem contar as taxas que seriam altas. Viagens internacio- nais têm até taxas emocionais incluídas. O capitalismo não perde tempo nunca. Fomos ao bar para um café da manhã, depois ao muro. Intera- gimos um pouco com os artistas que estavam pintando conosco, também com o pessoal da organização do evento. Em seguida, se- guimos pintando. Já estava praticamente pronto o trabalho, falta- vam apenas uns retoques finais.
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