149 automóveis passar. Aquela cidade/universidade era gigantesca e por algum motivo naquele horário não passava nenhum auto- móvel. Com receio de chegarmos atrados, decidimos ir a pé. Não esquecendo: eu ainda andava de muleta. Estava convicto de soltar a muleta só depois de voltar a minha cidade para consultar um médico. Graças a essa disciplina espartana, de me manter nos pri- meiros dias apenas com o pé para o ar e depois andar apenas de muleta, consegui ficar sem nenhuma sequela no tornozelo. O lugar da palestra não eramuito longe, mas tambémnão eramui- to perto: um quilômetro no máximo. Porém, qualquer distância era o dobro para mim. O dobro de esforço, o dobro de tempo e o dobro de cansaço. Cheguei lá todo suado e cansado, mas cheguei. Em frente ao salão onde aconteceria o evento era uma confusão de gente. Aliás, na Índia, por todo canto onde ia era esse caos de gente. Tinha umas três ou quatro filas que se perdiam de vista. Apesar de serem filas indianas, não fazia jus ao nome; havia muito poucos indianos por lá. A grande maioria era de orientais com olhos puxados vindos de lugares como China, Japão, Tibete, Tailândia etc. Depois descobri- mos sobre budismo não ter pegado muito forte na Índia. Fomos ao encontro a uns homens de ternos pretos de seguranças. Pedimos informações de como poderíamos entrar usando o nome da lista. Explicamos que estávamos trabalhando no evento, por- tanto haviam nos orientado a entrar direto, sem precisar esperar. Um dos seguranças passou um rádio e falou com outro. Este veio ao nosso encontro, para nos direcionar ao local de entrada. Chega- mos bem em cima da hora, faltavam poucos minutos para come- çar e a fila continuava gigante. Atravessamos aquela confusão, depois chegamos numa porta la- teral onde teríamos acesso ao palco. Finalmente consegui sentar para descansar. Meus braços e minha perna esquerda já estavam doendo de tanto esforço. Passava mais de uma hora desde o mo-

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