166 Umamescla demelancolia comalegria era o que sentia, compredo- minância da angústia. A alegria era guardada emuma pequena cai- xa no fundo de um grande armário. Ela ainda era guardada apenas por saber que eu estava em processo de amadurecimento e essas fases são sempre bastante doloridas. E o material da caixa era bem resistente às intempéries do tempo, por saber que tinha realizado algo bastante desafiador. Porém, não deixava de pensar sobre tal- vez ter tomado a decisão errada ao fazer essa viagem. Sabia que em longo prazo essas vivências teriam um retorno positivo, mas não era esse tipo de noção que pairava no momento. Agora pairava a dúvida, a insegurança, o medo; as angústias iam cada vez mais se somando, como uma poeira se acumulando emcima de umcômodo imóvel, esquecido em um canto de sala. Tinha a impressão de que me tornaria umermitão solitário, sempaciência com interações so- ciais, me dedicando a fazer uma coleção de sentimentos abstratos. Aessa altura conseguia colocar emperspectiva a parte boa dessa ex- periência apenas de forma bastante confusa. Estava exausto, tanto na questão física quanto emocional. Tinha mais ou menos intuição que alguns desses efeitos seriam produzidos em mim quando me propus a isso. Com certeza, os medos eram quase integrais quando precisei decidir se deveria realmente aceitar essa residência, mas o medo de viver pela metade foi maior. Últimos Momentos em Mumbai Eu tinha menos de uma semana ainda em Mumbai. Depois disso, voltar para Porto Alegre. O Rikardo ia seguir mais umas duas se- manas de viagem, ainda iria para Nova Deli encontrar o Zain. Lá iria fazer mais alguns trabalhos com a Wicked Broz e conhecer o Taj Mahal. Toda essa programação estava incluída quando che- guei à Índia, porém, em função do meu pé, somado ao cansaço, antecipei minha volta. Cheguei a pensar que queria também ir a Deli e por algum momento me arrependi de ter trocado minha
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