026 Era madrugada, não tinha quase ninguém na rua para perguntar e tocavam vários sons de rezas muçulmanos ao mesmo tempo, dando a sensação de estar adentrando a atmosfera da fé islâmi- ca. Depois, acabei descobrindo ser quase noventa por cento da sociedade egípcia seguidora do profeta Maomé, tendo assim uma mesquita em cada esquina. As rezas tocavam juntas porque co- locavam caixas de som no lado externo das mesquitas, para na hora do Salat a cidade inteira poder escutar. Depois fui descobrir sobre o Salat. É o momento de devoção à religiosidade. Todos os dias, durante cinco vezes, muçulmanos devem se dobrar de joelhos sobre o tapete e fazer a oração em direção a Meca, o lugar mais venerado dos maometanos, locali- zado na Arábia Saudita. As cinco divisões não são relacionadas a um determinado horário e sim ao deslocamento solar: Fajr no alvorecer; Zhur ao pico máximo do sol; Asr é ao meio da tarde; Magreb no pôr do sol; e Isha ao anoitecer. Agora já estava quase amanhecendo e era desconfortável estar no escuro commalas, dinheiro e documentos naquelas vielas va- zias. Os sons muçulmanos seguiam tocando todos ao mesmo. Só queria chegar. Depois de caminhar bastante, me atentei na ano- tação do endereço, dizendo ficar no terceiro andar. Comecei a buscar prédios com três andares ou mais. Não tinha nem certeza se o motorista tinha me deixado na localização correta, porém, comecei a procura. Depois dessa conclusão não foi difícil achar, pelo motivo de terem pouquíssimos edifícios nas imediações. A primeira vista de uma construção que fosse até o terceiro andar, toquei a campainha. Por sorte, ou por forças divinas, era o local correto. Se não encontrasse, seria um grande problema. Não tinha como fazer ligações, não tinha internet para mensagens, não tinha nin- guém para perguntar, estava exausto do itinerário. Esperava que agora acalmasse um pouco a turbulência para desfrutar de algu- ma maneira.
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