092 de fundo. A cada minuto aumentava a minha apreensão e expectati- va. Não queria demonstrar, mas estava um pouco nervoso com essa parte da trajetória na fronteira com a Síria. Sentia meu coração ace- lerar levemente quando me pegava pensando para onde estávamos indo agora. Na noite de véspera arrumamos os preparativos finais para no dia seguinte partir. Achei que seria prudente ter uma bela noite de sono para não ficar ansioso demais, mas minha madrugada foi de dorme e acorda constante. Dormi apenas umas quatro horas, por estar agi- tado pelo que estava por vir nos dias seguintes. Estrada Sinuosa Quando digo estrada sinuosa me refiro ao caminho montanhoso e cheio de curvas que faríamos agora até Trípoli, mas me refiro tam- bém à viagem como um todo, na qual até o momento havia percor- rido inúmeros lugares inimagináveis para mim. Estava completa- mente extasiado com a oportunidade de estar circulando dentro do OrienteMédio, emlocais onde jamais tinhapensado emestar umdia. A mídia vende uma imagem de ter apenas lugares perigosos, de di- fícil acesso, com terroristas por todos os lados. Entretanto, já havia conhecido pessoas bem distantes desse tipo de estereótipo: gente amigável, receptiva, afetuosa e com grande desejo de conhecer ou- tras formas de cultura. Lembro de uma conversa comSpaz e Exist na qual comentaramque qualquer tentativa de sair do país é dez vezes mais difícil, com todo tipo de burocracias possíveis, um mundaréu de entrevistas, docu- mentos e vistos. Na América e na Europa existe tambémuma grande quantidade de questões antes de viajar, mas aqui é multiplicado por dez. Além disso, falaram do preconceito ser bastante intenso nos ae-

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