099 Algumas outras pessoas, acho que moradores do campo de refu- giados, também se envolveram nessa confusão toda. Após quase uma hora de desentendimentos, a adrenalina de todos começou a baixar. A turma do deixa disso deixa daquilo conseguiu acal- mar os cães ferozes. Os palestinos que estavam conosco voltaram para o nosso automóvel, com a missão fracassada novamente. A essa altura deveria ser umas onze da noite. Estávamos com quase todas as esperanças perdidas, achando não ser possível o acesso a esse local. O motorista discutiu mais uns minutos por telefone, depois nos disse que achava que conseguiria resolver o nosso problema. Fomos a uma terceira entrada, para mais uma tentativa. Estávamos todos exaustos, tanto emocionalmente, quanto fisicamente, mas não tínhamos outra opção senão seguir nas mãos dos companheiros palestinos. Nessa terceira entrada, nos receberam novamente os milicos ar- mados, entretanto agora passou tudo tranquilo. Foram apenas alguns minutos de conversa semnervosismo e nos deixaram pas- sar. Não sei bem se foi acertado algo por telefone, mas a verdade é que não fazia a menor diferença. Apenas queríamos um lugar para descansar. O motorista já devia ter fumado uns três maços de cigarro e agora estava mais calmo. Atravessamos o portão de entrada para nos direcionar ao campo Nahr al-Bared. Nahr al-Bared Estava bem escuro sem conseguir enxergar direito, mas depois que entramos no campo a impressão foi de estar emuma pequena cidade. Ruas de chão batido, com pequenos prédios, algumas ca- sas pobres em contraste com outras mais bem estruturadas. Tam- bém algumas ruínas de casas destruídas. Comércio por todos os lados, com bares, restaurantes, lojas, farmácias. Não tinha aquela mesma estética precária do campo de sírios.

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