Revista Palavra 11
palavra. sesc. literatura em revista. 2022. Hermes de Souza Veras página 070 Crônica Calma, vamos tentar mais uma vez? Na cena tinha degola e outras situações mais pesadas. Mas calma aí, isso é arte, literatura e, sendo bem feito, tudo pode. Mas ninguém pre- cisa começar sem cabeça, precisa? Deixo as listas, as sugestões, os caminhos das pedras para quem vai lecionar literatura para você. Eu sou apenas um escritor. De um tipo di- versificado e confuso: tenho escrito coisas fan- tásticas. E antes que você me fale de modéstia, aviso que estou dizendo do fantástico como gênero, não qualificativo. Faço poesia, conto, microconto e esse tipo de texto que está nesta revista: a crônica. E essa é a minha sugestão, leia crônica. Pergunte para sua professora, pro- fessor, quem for: — Ei, quem escreve essa da- nada de crônica na nossa cidade, estado, país? Quem são os vivos e os mortos? Talvez nesse momento você caia pra trás e me pergunte: — Existe gente viva escrevendo? Ôh se tem. Mui- ta! Seria bom começar com vida. Mas não me acuse de estar sendo didático, for- çando a barra, querendo empurrar meus gostos Esta é para você que está aí na escola. Ou, pos- sivelmente, esteja estudando de maneira re- mota. Mandaram você ler uns livros, provavel- mente uma lista deles. Falaram que vai cair no vestibular, que são clássicos incontornáveis, e você está no ensino médio, chegando ou sain- do dele, então deveria lê-los, não é mesmo? Talvez alguém tenha colocado na sua mesa um José de Alencar, um Machado de Assis. Não vou mentir, se foi um Machado, você está bem. Acredite. Esse daí tem fio e força. Um dia você vai gostar, no mínimo reconhecer o valor da obra dele. Eu sei, você tentou. Provavelmente, achou um tédio. Mas uma lista é sempre muita coisa, se em uma página cabe um universo, imagine nesse tantão. Vamos tentar mais uma vez? A sua professora ou o seu professor que me des- culpe, mas vou pedir isso, tente criar gosto pela coisa de outro jeito. Com textos mais cur- tos, daqueles cheios de vida, de dia a dia, noite também. Por que não? Juro, uma professora do ensino médio me apresentou Rubem Fonseca. Hermes Veras
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