15 acostamento, pediu pro cara que dirigia parar. Só tinha lugar pra mais um no carro, e a Debbie foi com eles. Consegui uma carona logo depois (na verdade, foi um semiconhecido que ia de ônibus, mas acabou descolando uma carona e me deu a passagem. Anos mais tarde, esse sujeito bateu na mi- nha casa pra mendigar um baseado, e eu disse cai fora e ele me jogou na cara: aquela vez eu te dei uma passagem pra Capão, seu filha-da-puta-malagradecido!). Seria um típico feriado adolescente. O apartamento de veraneio do meu avô estava liberado e eu tinha convidado uns amigos. O combinado era que todo mundo se encon- traria na rodoviária de Capão da Canoa, cidade praiana das mais deprimentes dentre as deprimentes cidades praianas do litoral sul, mas, em se tratando de cidade com apartamento liberado longe dos cuidados e olhos dos pais, transformava-se no lugar perfeito prum bando de adolescentes sedentos por sexo, drogas e autodescobrimento autodescobrirem-se. Che- guei à rodoviária e o bando já me esperava. A Debbie me apresentou ao Ricardo e a outro cara que estava com eles, o dono do carro. Perguntou se não podiam ficar também no apê do meu avô. No problem, I guess. Onde dormem cinco, dormem sete. E foi assim que conheci o Ricardo. Ele fazia um curso de paraquedismo e tinha ido dar uns saltos em Capão, onde tinha um aeroclube. Um ruivo que saltava de paraquedas, meio su- perdotado, que trabalhava com computadores numa época em que pouca gente tinha computador e que seria o meu parceiro nos próximos dez anos na viagem fantástica que foi o Gara- gem Hermética. Logo no primeiro dia eu já tinha simpatizado com o cara. Principalmente quando, no caminho pro apê, ele sugeriu, à vista de uma sapataria, que comprássemos uma la- tinha de cola pra cheirar à noite. Pra um jovem toxicômano como eu, nada poderia parecer mais simpático.
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